sexta-feira, 7 de março de 2014

A cor estrutural nos sistemas vivos da Natureza


                               
Para o texto abaixo foi utilizado como referência partes do artigo da Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 35, n° 2, 2301 (2013).

Cores estruturais são aquelas geradas como resultado da interferência construtiva da difraçâo em uma grade ou em estruturas com certa ordenação nanométrica. 
A cor estrutural difere da cor química (encontrada na maioria dos seres vivos) pela ausência de pigmentos, sendo resultado apenas de efeitos óticos superficiais.
Um bom exemplo deste fenômeno são as asas das borboletas que são objetos de investigação há longo tempo como se pode observar no texto abaixo.
O fascínio pelas cores das asas das borboletas remonta à antiguidade.
Os gregos foram os primeiros a registrarem essa admiração e debruçam-se nesse assunto já no quarto ou quinto século antes de Cristo, descrevendo as asas das borboletas como uma estrutura constituída de complexas redes de minúsculas escamas sobrepostas. Dai o nome cientifico desses insetos como
“lepidópteras“, fusão de “lepis” (escama) com “pteron” (asa) .

As lepidópteras constituem em uma grande diversidade de grupos taxonômicos com cerca de 180.000 espécies classificadas em 127 famílias.
As lepidópteras (ai incluídas as mariposas) representam cerca de 15% de todos os insetos conhecidos e, segundo dados da Embrapa, no Brasil em torno de 3.500 espécies de borboletas já foram catalogadas, sendo que destas 57 encontram-se em processo de extinção.

Os padrões e cores presentes nas asas de uma borboleta não constituem apenas de alterações para um mimetismo defensivo ou simples camuflagem.

Estudos têm identificado funçôes complexas de comunicações nessas configuraçôes, que alteram, muitas vezes sutilmente, para sinalizar a presença de predadores ou o reconhecimento de espécies e a atração para o acasalamento, ou para indicarem a simples presença de alimentos em determinados locais
As asas das borboletas são os melhores exemplos de geração de cores estruturais e com o advento da microscopia, o detalhamento dessas estruturas permitiu elevar o conhecimento do fenômeno assim como com o recentemente avanço da nanotecnologia, as primeiras reproduções artificiais dessas estruturas foram obtidas com potenciais aplicações em diversos campos.
A cor estrutural é, em princípio, um efeito puramente físico e presente em diversos organismos na natureza.
Há certa controvérsia sobre as primeiras descrições da ótica desse fenômeno.
Alguns autores atribuem a Robert Hooke, físico e matemático britânico, com base em sua publicação de 1665 na qual descreve as alterações de colorações em penas de aves .
                            
                                                pavão
Outros atribuem a Newton o primeiro registro documental das cores estruturais .
O que se sabe ao certo é que ambos trocaram correspondência sobre os princípios do fenômeno o qual foi inicialmente designado como "cor superficial".
A terminologia "cor estrutural", hoje adotada, foi cunhada por Lord Rayleigh em 1919.

Vale dizer que a cor estrutural difere da cor química, pois esta é proveniente de pigmentos que são compostos que absorvem através de suas ligações químicas, parte do espectro da luz visível incidente, refletindo a fração não absorvida ou frequências geradas a partir da excitação de elétrons nos orbitais superiores em um intervalo de comprimentos de onda que caracteriza a cor visualizada.
Em animais, e ai incluem os serem humanos, os pigmentos que caracterizam a cor da pele são denominadas melaninas.
As melaninas também são estruturadas em base fenólicas e se polimerizam em pequenos grânulos não superiores a 0,7 _m uniformemente distribuídos sobre a cútis.
Seres com deficiência de pigmentação são chamados albinos.

Difração de grade ou grating equation

O desenvolvimento teórico do princípio de difração por grade foi desenvolvido em 1913, confirmando os dados obtidos experimentalmente o que levou Bragg a receber o Nobel de Física em 1915.

Veja a Lei Bragg    aprenda a usa-lá com a applet do site da                    www.if.ufrgs.br/tex/fis01101/home.html e veja aula no www.youtube.com/watch?v=nLKUPwqoFas‎
                         
                                               equação (5)

A Eq. (5) é conhecida em inglês como grating equation, algo como "equação de grade" ou de "rede" em analogia a uma grade de difração e estabelece a condição de espalhamento de uma radiação incidente conforme teorizado por William L. Bragg para planos de refração espaçados a uma distância regular (d) entre si e próxima ao comprimento da onda incidente.
A importância da equação de Bragg é que esta relaciona o espaçamento entre os pontos da rede, em nosso caso as lamelas, com os ângulos de difração (_i) e a comprimento de luz refratada (λ).

Olhando esta situação como uma radiação policromática incidente (luz branca, por exemplo), temos a condição da Fig. 8, na qual o observador enxerga tons ou matizes diferentes para diferentes ãngulos.
Esse fenômeno é facilmente observável ao inclinarmos um CD de
                                 

policarbonato em diversos ângulos com relação ao observador, que se comporta como uma rede de difração, refletindo diferentes comprimentos de onda em diferentes direções decorrentes das difrações que se dão nas minúsculas trilhas de gravação presentes na superficie do disco.
              
                     
                                                       Figura 8 

4. Aplicações nanotecnológicas bio-inspiradas

Os melhores exemplos de aplicação prática dos conceitos de cor estrutural na confecção de dispositivos são os empregados na preparação de cristais fotônicos.
Os cristais fotônicos são estruturas tridimensionais Periódicas, normalmente de materiais cerâmicos, dispostos de forma a configurar uma malha 

                                    
nanométrica com cavidades definidas a semelhança de uma colméia . 

A matriz e as cavidades podem ser intercaladas com meios de diferentes índices de refração, resultando em um sistema com a capacidade de atuar
                                     

sobre os fótons incidentes, confinando ou limitando a propagação da luz em seus diversos meios.
Na natureza as opalas apresentam estas configurações.

                       
                              
                                                Opalas
Esse arranjo estrutural permite assim, ao variar as distancias ou propriedades de cada meio, controlar e manipular do fluxo de luz possibilitando a confecção de guias óticos, ideais para a fabricação de fibras

                 

ou microchips capazes de transmitir grandes capacidades de dados .
A aplicação desses cristais na confecção de lentes, membranas ou tintas que alteram a coloração já foram propostos.
A indústria japonesa foi, contudo, a primeira a utilizar os conceitos da cor estrutural e produzir nanoestruturas escalonadas baseadas nas asas das borboletas.
Por técnicas de evaporação e deposição, camadas de SiO2 (dióxido de silício) foram crescidas em trilhas com espaçamentos variados, gerando efeitos diversos sob a incidência de luz .
Embora as justificativas para essas réplicas tenham sido inicialmente descritas como recursos para estudos óticos, configurações similares levaria a confecção de estruturas totalmente absorvedoras ou geradoras de reflexões incoerentes. Estas são as bases das chamadas superfícies "invisíveis".
O uso militar dessa tecnologia é evidente, principalmente para o desenvolvimento das tintas que tornariam superfícies não detectadas por radares.
O efeito de "aprisionamento" de radiação já foi testado com o objetivo foi elevar a eficiência de células solares. Para tanto lamelas de TiO2 (dióxido de titânio) crescidas por deposição coloidal, seguindo padrões geométricos observados na
                                    
                                       

                                                Papilio paris

espécie Papilio paris  indicaram, que a reprodução de uma estrutura invertida das asas dessa borboleta eleva a incidência de radiação na base vítrea coletora.
A geração de cor intensa, como o verde, foi recentemente conseguida pela universidade de Cambridge na Inglaterra ao reproduzir em laboratório a

                                       
                                              Papilo blumei
                                            
 estrutura encontrada nas asas da borboleta do tipo Papilo blumei.
Esta nanoestrutura foi conseguida pela formação de lamelas por deposição alternada de nanopartículas de titãnio e alumino sob uma superfície polimérica.
O resultado foi um efeito visual semelhante ao verde típico da Papilo blumei e foi indicada pelos autores como tecnologia ideal para a estampagem de células de dinheiro ou ingressos, as quais seriam quase impossíveis de falsificação.
A indústria têxtil japonesa Teijin Fiber Ltd, já tem em sua linha de produção tecidos a base de fibras de poliéster, de espessuras de 700 nm, regularmente espaçadas e trançadas.

A disposição das fibras foi inspirada na asa da borboleta Blue Moprho e

                                          
                                 
recebeu o nome comercial de Nanofront c .
Esta malha apresenta coloração viva intensa e é indicada, segundo o fabricante para efeitos de sinalização.
Seriam ideais para a confecção de jaquetas ou uniformes de alta visibilidade, assim como revestimento de capacetes de motociclista com alta refletividade de luz incidente.
Esses, sem dúvida, são apenas alguns exemplos das possibilidades que a reprodução da cor estrutural permite.
Com o avanço das técnicas de manipulação em nanoescala inúmeras outras aplicações certamente serão vislumbradas.

                        
                         

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A luz que vem da vida - Bioluminescência

                  

Nas noites quentes de verão quando as folhas das matas exalam  seus perfumes noturnos de forma embriagadora e ao olharmos para a sua escuridão, temos em algumas ocasiões a impressão de estarmos olhando para um céu estrelado, pois vemos o piscar de luzes que nos dão a impressão de vermos estrelas  que na realidade são  minúsculos seres voadores tentando perpetuar-se no tempo, pois estão sim,  procurando um par para o ritual do acasalamento. 
Mas, também neste cenário, pode esconder-se junto com o brilho, um grande perigo, pois nem tudo o que brilha é prenuncio de felicidade e deleite,
                  

porque alguns predadores da noite usam o brilho como disfarce para atraírem suas incautas presas. 


   Peixe pescador barbudo

E assim, a natureza segue seu curso inexorável, independente de nossas vontades e desejos.
Bem, após esta pequena divagação, que pode parecer um tanto inusitada para os que teêm suas vidas imersas nas grandes cidades que são luzidias e feéricamente iluminadas e assim, dificilmente veêm uma noite verdadeiramente escura (salvo quando há falha de energia, claro..) , portanto, vou iniciar nos parágrafos seguintes o assunto bioluminescência, que é a como a ciência chama a propriedade dos organismos vivos emitirem luz, e assim, espero, possa tornar para as pessoas citadinas o assunto mais familiar e creio, assim como eu vejo, fascinante.

O termo bioluminescência (do grego: bios vida e do latim: lumem luz) significa a capacidade de um determinado organismo gerar luz fria através de uma reação química, com a catalisação e oxidação da proteína denominada luciferina pela enzima luciferase.
Na natureza, dependendo do grupo, são observadas diferenças nos mecanismos químicos que resultam nessa atividade, porém, a luciferina e luciferase estão presentes em todas as reações dessa natureza. (VIVIANI, 2009 apud HERRING, 1987).

A origem da Bioluminescência 

De onde surgiu essa capacidade de produzir luz e qual o propósito de emiti-la ?.
A hipótese da origem da bioluminescência bacteriana, segundo estudiosos, está associada ao inicio da história biológica terrestre, onde as formas de vida predominantes eram as bactérias anaeróbias. Para essas bactérias, o gás oxigênio é tóxico, e com o aumento da quantidade livre desse gás na atmosfera, resultante da respiração das novas formas de vida, as cianobactérias, foi preciso desenvolver um mecanismo para metabolizar a molécula de O2, gerando o fenômeno que conhecemos como bioluminescência, que perdura até hoje. (SELINGER, et al. 1965)

Em outras palavras, o ato de respirar produz luz, ou seja, a oxidação da substância luciferina que podemos traduzir pela equação 
LH2 + Oxygen ==b== L + H2O + LIGHT

                 
                  
Modelo espacial da estrutura da luciferina dos pirilampos. A amarelo: enxofre; azul: azoto; preto: carbono; vermelho: oxigénio; branco: hidrogénio.


Da equação acima vem dois itens adicionais que devem ser notados.
O primeiro é que a água é produzida do lado da geração de luz.
O segundo item a notar é que em condições extremamente baixa no conteúdo de oxigênio, um excesso de luciferina é acrescentado.
E se o oxigênio é subitamente restaurado um flash mais brilhante que a luz normal é gerado.

Existem três tipos de bioluminescência, aquela resultante da simbiose com bactérias, a bioluminescência intracelular e a bioluminescência extracelular. O fenômeno resultante da bioluminescência por simbiose com bactérias, é bem mais difundido, em animais marinhos, em vermes, moluscos,

       

celenterados, equinodermos e peixes, do que em outros grupos animais. 
              
De forma geral, em algumas partes do corpo do animal, existem pequenas bexigas, que servem para armazenar as bactérias produtoras de luz, denominadas fotóforos, que na maioria dos casos, são controlados pelo sistema nervoso do hospedeiro, existindo ainda, mecanismos que controlam a intensidade e frequência do processo (SELINGER, et al. 1965).

A bioluminescência intracelular é gerada por células especificas, localizadas em órgãos, próximos a pele, geralmente com células refletoras que irão intensificar a luz emitida. Nos pirilampos, uma placa de cristais de urato é a responsável por intensificar a luz, já em certos peixes, placas de guanina são utilizadas como material refletor, sendo frequentemente encontradas em lulas e dinoflagelados (SELINGER, et al. 1965).

Nos Cefalópodos, a bioluminescência é uma característica comum e
          

 complexa  há uma grande porcentagem desses animais de arco bioluminescente, os órgãos que produzem luz são muito complexos possuindo lentes, refletores, íris, filtros de Interferência, telas de pigmentos, e persianas (JOHNSEN, et al. 1999).
Na bioluminescência extracelular, os reagentes e catalisadores (luciferina e luciferase) são sintetizados e armazenados em vesículas dentro das células especificas. Quando há sinal de necessidade, estas substâncias são expulsas
   

para fora do corpo produzindo uma nuvem de luz. Geralmente, pode ser utilizada para afugentar os predadores, sendo comum, em crustáceos e alguns cefalópodes abissais. (SELINGER, et al. 1965)

Funções na batureza da bioluminescência

A bioluminescência pode ser utilizada para comunicação intraespecífica, através de padrões e freqüência das luzes, tendo elevada importância nos processos reprodutivos. Outra função importante da bioluminescência é a sinalização interespecífica, cujo intuito principal é o de atração da eventual presa para uma emboscada, ou o contrário, o mimetismo para desestimular
       

um predador, imitando outro animal ou simulando um tamanho corpóreo maior que o real, ambos associados a um comportamento defensivo. Peixes

                
                 
abissais ainda utilizam o recurso com forma de iluminar, como uma lanterna, o crepúsculo marinho
(VIVIANI 2009 & BECHARA, 1994). 

O uso da bioluminescência pelos insetos

Na superfície terrestre, os insetos constituem o grupo mais numeroso em espécies luminescentes. É sabido que neles a emissão luminosa é controlada  neurologicamente: os fotóforos, com fotócitos ricos em mitocôndrias (fonte ATP), possuem muitos terminais nervosos e traqueolas, que controlam a entrada de oxigênio (BECHARA, 1994)
Nesta ordem foram descritas espécies luminescentes nos gêneros Lipuras e Neanuras, entretanto as funções biológicas e a natureza química da bioluminescência permanecem completamente obscuras
(HARVEY, 1952). 

As familias Elanteridae (pirilampo)  e Lampyridae (vaga - lume)
Os entomologistas mais rigorosos dizem que vaga-lume de verdade é sempre Lampyridae, e pirilampo que é Elanteridae. 
Esta Família é composta por coleópteros conhecidos como pirilampos ou vagalumes. Alimentam-se, principalmente, de lesmas e caramujos e vivem em torno de 1 a 3 anos. As fêmeas dos vagalumes botam os ovos em árvores apodrecidas, sendo geralmente ápteras e, juntamente, com as suas larvas, são bioluminescentes. É um grupo diverso que possui cerca de 1700 espécies conhecidas. (BUZZI, 2010).

         

O lamperídeos possui em seu abdômen, órgãos luminosos de coloração amarelo-esverdeado, ausente nas formas imaturas. Uma função desse fenômeno nesses insetos é a atração do sexo oposto, sendo que o mecanismo é espécie-específico, ou seja, cada espécie possui um ritmo de iluminação característico (BUZZI, 2010). 
Outra função da bioluminescência para o grupo, tem a ver com a predação. 
Fêmeas de algumas espécies imitam as luzes de espécies diferentes, atraindo machos que se deslocam para reprodução, mas que acabam sendo predados (TRIPLEHORN & JONNSON, 2011).

Os elaterídeos são fitófagos na fase adulta, sendo encontrados, em flores, sob a casca de arvores ou folhagens. As formas larvais podem ser



encontradas alimentando-se, em locais com matéria orgânica em decomposição, como troncos de árvores podres, ou se configuram como espécies daninhas, atacando sementes recém-plantadas e raízes de plantas cultivadas, entre elas feijão, algodão, batatas, milho etc. São descritas aproximadamente 7.000 espécies no mundo. 
Na fase adulta as lanternas estão localizadas na forma de vesículas ovaladas sobre o pro tórax que emitem luz contínua na região do verde, e uma lanterna abdominal que é ativada somente durante o vôo, que também emite luz contínua, mas em geral a coloração é avermelhada em relação às lanternas torácicas (BECHARA, 1994 & BUZZI, 2010).

Usos da bioluminescência na ciência 

O ATP armazena energia proveniente da respiração celular e da fotossíntese, para consumo imediato.
A media de ATP de conteúdo intracelular em vários microorganismos tem sido quantificado e o ATP tem mostrado ser um biomarcador confiável  da presença de organismos vivos. (Kodata et al., 1996; Thore et al., 1975; Venkateswaran et al., 2003).
Para se capacitar especificamente para detectar organismos vivos via ATP – bioluminescência o primeiro passo é extrair o ATP das células. Este passo é critico e impacta diretamente na confiabilidade da detecção. (Selan et al., 1992).
Solução quimica ou extração física foram métodos usados em exemplos líquidos. (Selan et al., 1992; Siro et al., 1982).

Alguns resultados falso negativo foram descritos em poucos estudos. (Conn et al., 1975; Kolbeck et al., 1985).

Estudos adicionais ivestigando a causa dos resultados falso negativo demonstraram que a extração de ATP não era eficiente. De fato,  extensivo ultrasom de amostras bacteriais, por exemplo, causaram un significativo aumento da Unidade Relativa de Luz (RLU) medida.(Selan et al., 1992).
 
Levando em conta essa limitação, testes com ATP-bioluminescência já tem provado fornecer boas propriedades de  detecção em muitas áreas.
Testes de bioluminescência é internacionalmente usado para monitorar o ar e a limpeza de superfícies e a qualidade de produtos principalmente na industria de alimentos e em menor extensão na industria farmacêutica. (Aycicek et al., 2006; Bautisda et al., 1995; Davidson et al., 1999; Dostalek & Branyik, 2005; Girotti et al., 1997; Hawronskyj & Holah, 1999).  
Estudos mostram que o nivel de contaminação avaliado nas superficies limpas, com ATP por extração e teste de bioluminescência  correspondem em 80% con os exemplos testados com o ttradicional plate méthod. (Poulis et al., 1993)
A disponibilidade de luminometros sensiveis assim como, de muitos kits comerciais de  ATP- bioluminescente tem permitido o desenvolvimento de vários protocolos de aplicações na industria de microbiologia.
Atualmente, ATP-bioluminescência é aceita  como uma tecnologia comum usada para monitorar contaminação em áreas tais como alimentação e bebidas, ecologia, cosméticos, e clinica.
(Andreotti & Berthold, 1999; Chen & Godwin, 2006; Davidson et al., 1999; Deininger & Lee, 2001; Frundzhyan & Ugarova, 2007; Miller et al., 1992; Nielsen & Van Dellen, 1989; Selan et al., 1992; Yan et al., 2011).  

Cientistas da Universidade de Agricultura do Sul da China modificaram

                                
geneticamente 10 leitões para que os animais brilhem no escuro.
Os pesquisadores injetaram DNA de uma espécie de água-viva bioluminescente nos porcos. Stefan Moisyadi, biocientista da Universidade do Havaí, diz que a proteína que faz com que os animais brilhem no escuro não causa nenhuma dor e os suínos devem viver o mesmo tempo que porcos não transgênicos.
O objetivo do experimento é mostrar que é possível incorporar material genético de um animal em outro de espécie inteiramente diferente. Isso, afirmam os cientistas, pode levar a medicamentos melhores e mais baratos para a medicina.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Restaurante Submerso

          
         conrad maldivas

 O restaurante submerso chamado Ithaa Undersea Restaurant. Fica na República das Maldivias, nas dependências do Hilto Maldives Resort & Spa.

O Conrad Maldivas Rangali Island é um hotel situado nas Ilhas Maldivas.
 A maior atração do hotel é disponibilizar aos hóspedes um quarto de luxo completamente embaixo d’água.
                 
                        conrad maldivas     
                                                 Quarto submerso
Quando não está transformada em suíte de luxo, o quarto se transforma em um restaurante submerso no fundo do mar.  
Com apenas 14 lugares, o ithaa Undersea Restaurant foi um projeto de 5 milhões de dólares.
Sua estrutura é formada basicamente por um túnel de acrílico transparente que permite uma vista de 270° no fundo do mar [www.tecmundo.com.br]

Por apenas 12 mil dólares, casais românticos aproveitam para passar uma noite de lua de mel com muito requinte, luxo e mordomia.
Na ocasião é oferecido jantar privativo, champanhe e café da manhã na cama.
Quando o quarto não está ativo, o local se transforma em um restaurante que recebe apenas 12 casais por noite pelo valor de 320 dólares por pessoa e 195 dólares para a hora do almoço.
Para jantar, almoçar, ou reservar o quarto, é preciso reservar com, no mínimo, de 14 dias de antecedência para que tudo seja preparado.
O restaurante submerso, ou quarto de hotel embaixo d’água, fica a 5 metros de profundidade no oceano Índico, cercado por uma barreira de corais belíssimas.
Outra opção do hotel Conrad Maldivas é ficar em quartos de frente para o mar ou bangalôs sobre as águas. Neste caso, o valor fica apenas 500 dólares.
 [www.dicasviagem.com.br/]
 
     A republica das ilhas Maldivas é um conjunto de 1196 ilhas agrupadas em 26 atóis         
                                     

                                           imagem de formação de um atol

Destas 203 são habitadas tornando as Maldivas o país com a menor população da Asía.
   
                           

                       

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Matéria programavel Itś the Future ? - Claytronics


               

Claytronics é uma forma de programar matéria feita a partir de um grande número - potencialmente milhões - de robôs esféricos com medida sub-milimétrica,
               

que trabalham em conjunto para formar dinamicamente objetos físicos tridimensionais e estes computadores de escala nanométrica são chamados de claytronic atoms ou catoms


                                 

Por exemplo, claytronics deve ser usado em tele-presença para imitar com alta fidelidade e em forma sólida tridimensional, a aparência, a sensação física e o movimento de uma pessoa do outro lado de uma chamada telefônica.
Seth Goldstein and Todd Mowry apresentaram este conceito. Eles tiveram a ideia á partir da brincadeira de massa de modelar (molding clay).
Esta tecnologia pode fazer um conjunto de minúsculas bolinhas tornarem-se


                                                     

quaisquer outros objetos. 
Hoje, nós utilizamos telefone celular.  Amanhã o telefone celular poderá transformar-se, rearranjando-se como um laptop: a tecnologia, certamente é de explodir o cérebro. O projeto está sendo desenvolvido pela Carnegie Mellon University  e financiado pela Intel. 
Se o projeto tiver êxito, ele poderá ser explorado em vários campos tais como: indústria de entretenimento, indústria médica e na indústria de telecomunicações. 
Como é possível realizar algo assim?.

Este é o assunto que pretendo comentar a partir do artigo da Association for the Advancement of Artificial Intelligence 2009 entre outros.

 Um novo tipo de plataforma chamada Pario

"Assim nós propusemos a criação de um novo tipo  de mídia, que chamamos pario.

Similar com  o áudio e o vídeo permite-nos apresentar  sons arbitrário e imagens em  movimento a longas distancias, a idéia por trás da tecnologia pario é apresentar movimentos arbitrários, objetos físicos em 3D que você possa ver, tocar e também sustentá-los em suas mãos.
Assim como com áudio e vídeo, quando nos reproduzirmos alguma coisa com pario nós nem estaremos transportando o objeto original e também não estaremos criando uma réplica exata  ao invés disso, a idéia é criar um artefato físico que seja uma  suficientemente boa reprodução da figura, aparência, e movimento do objeto original - de maneira que os nossos sentidos  irão
                                                                                                                                             
                   
                              Imagem capturada e montada por catoms
 
aceitar como sendo real.
Como uma concreta tecnologia para pario, claytronics serve como uma forma programável de uma espécie de massa de modelar, cuja forma e aparência são remotamente controláveis,  dessa maneira, criando objetos físicos que você pode diretamente vêr e tocar."

              

Fazendo uma analogia com a tecnologia de video, um ótimo display de vídeo deve ser suficientemente pequeno, densamente preenchido por pixels para entregar uma imagem com alta fidelidade, e o tamanho total do display deve ser de um tamanho que proporcione uma visão confortável.
Para pario, os catoms individuais podem ser pensados como voxels físicos (que é o equivalente fisico 3D do pixel), nós gostaríamos que eles fossem bem minúsculos (preferencialmente menores do que 1 milimetro de diâmentro ), a fim de entregar um formato em 3D com fidelidade.
Para  expressar uma informação visual, cada catom precisa se capaz de trocar de cor (similar aos pixels).
Se nós também quisermos expressar  a informação táctil com alta fidelidade
( por exemplo, fazer um objeto parecer ser de madeira ou de vidro quando você passa os dedos sobre ele), as inúmeras texturas  podem ser possíveis de sintetizar pelo espaçamento dos catoms sobre a superfície em um arranjo apropriado, e construindo os catoms com menos de 0.3 milimitros de diâmetro (Klatzky and Lederman 2006, Lederman et al 2006)     

Por enquanto, nós devemos admitir que a noção da tecnologia pario é complicada, mas, o impacto pratico de sua realização pode ser enorme.

Os Catoms

Os Blocos Claytronics ou Catoms que são as peças basícas dessa tecnologia emergente e que mudará a nossa concepção de realidade, pois o tópico "matéria  programável", certamente revolucionará todos os nossos conceitos relacionados à tecnologia e nossa maneira de representarmos o mundo a
                                       
 nossa volta.

Claytronics são formados por componentes individuais, chamados catoms – derivado de Claytronic atoms – qie podem se mover em três dimensões (em relação aos outros catoms), capacidade de adesão à outros catoms para manter uma forme em 3D, e computar estado de informação ( com possível assistência vinda de outros catoms dentro do conjunto).  (veja vídeo sobre os catoms)

Desenvolvido pela Carnegie Mellon University, US pelo grande cientista Seth Goldstein em junho de 2002, catoms ou  matéria programável está pronta para trazer uma revolução na  atual eletrônica moderna.
De acordo com ele, catom é definido como:
Um grupo de pequenos robots modulares que podem comunicarem-se entre si e podem modificar suas posições, para formar figuras diversas, também o  tamanho e cor de acordo com o ambiente vizinho.
Para isto ocorrer eles criam voids( espaços vazios) os quais se movem em
            
                               Voids (espaços em negro na figura)


                                     

direção a borda da montagem para dar a ela diferentes visualizações a cada solicitação no tempo (chung et al 1990)


                                  
Em seu desenho básico, o catom é uma unidade de tamanho milimétrico que é composto de:
·    Uma CPU
·    Uma unidade de armazenamento de energia como uma bateria onboard
·    Um dispositivo de rede
·    Um dispositivo de saída de vídeo  em LCD ou LED
·    Sensores como de pressão e de fotografia
·    Uma forma de locomoção
·    Um mecanismo para aderir á outro catoms

Por esta tecnologia os catoms podem trocar suas posições dentro de quaisquer configurações dependendo apenas de seus comandos e propósitos e desta maneira, nós podemos fazer nosso mundo virtual mais realistico e interessante..
                
                                              protótipo de catoms
  
Aplicações futuras

Objetos representados pelos catoms podem ser radicalmente alterados em forma e função.
A mobília pode computacionalmente ser alterada para novo tipo, por exemplo, uma cama subitamente tornar-se um sofá, ou uma larga mesa.
Cadeiras podem ser instantaneamente moldadas precisamente em montagens individuais.
            
Paredes, carpets, telhados, portas e outras superfícies podem ser em suas cores ou textura sobre on-demand.
Muitos veículos agora fazem uso de claytronics , superfícies de carros podem trocar de cor ao toque de um botão ou eles podem se auto reparar: consertando bombas, arranhões e outros danos.
        
               



                     

A lógica que é necessária para viabilizar esta aplicação está baseada em uma maneira diferente de programação computacional de nome Meld (), e para uma breve explanação, vou traduzir o resumo do artigo com o titulo: 

Meld: A Declarative Approach to Programming Ensembles
Michael P. Ashley-Rollman, Seth Copen Goldstein, Peter Lee, Todd C. Mowry, Padmanabhan Pillai

This paper presents Meld, a programming language for modular robots, i.e., for independently executing robots where inter-robot communication is limited to immediate neighbors. Meld is a declarative language, based on P2, a logic-programming language originally designed for programming overlay networks. By using logic programming, the code for  an ensemble of robots can be written from a global perspective, as opposed to a large collection of independent robot views. This greatly simplifies the thought process needed for programming large ensembles. Initial experience shows that this also leads to a considerable reduction in code size and complexity.
An initial implementation of Meld has been completed and has been used to demonstrate its effectiveness in the Claytronics simulator. Early results indicate that Meld programs are considerably more concise (more than 20x shorter) than programs written in C++, while running nearly as efficiently.

" Este documento apresenta Meld, uma linguagem de programação para modulos de robots, por exemplo, para robots operarem independentemente onde a comunicação inter- robot é limitada em relação aos vizinhos imediatos.
Meld é uma linguagem declarativa, baseada em P2 uma linguagem de programação lógica  originariamente desenhada para programação transparente (sem a necessidade de detalhar exaustivamente a rede) de networks (redes de trabalho)
Por usar programação logica, o código para um conjunto de de robots pode ser escrito á partir de uma perspectiva global, em oposição a uma grande coleção de pontos de vista de robots independentes.
Isto simplifica significativamente  o processo necessário para pensar a programação de grandes conjuntos. Experiências iniciais mostra que isto também conduz para uma consideravel redução no tamanho do código e complexidade.
Uma inicial implementação de MELD está sendo completada e sendo usada para demonstrar sua efetividade no simulador de Claytronics.
Resultados iniciais indicam que programas com Meld são consideravelmente mais concisos (mais de 20 vezes menores). do que programas escritos em C++, enquanto funcionam bem e com eficiência."
Veja uma simulação de 10M catoms fazendo GHC (video)

Diferentemente da holografia onde não é possivel haver interação com a forma visualizada Claytronics proporcionará a interação manual e talvez até olfativa

                                  
                                   
                                               Projeção Holográfica
Podemos dizer que já é possível intuir algumas aplicações a partir de cenas mostradas pelas telas do cinema e da televisão, cito o seriado CSI - New York que passa no Brasil, que no 

                                  
momento da abertura ou em algumas autópsias dos episódios, aparece a figura de um perito legista examinando a renderização de um corpo.

       

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Conceição Maria de Jesus - La griotte da Favela

                       


                                                “Um País se faz com Homens e Livros” 

                                                                               (Monteiro Lobato)

                                        Pesquisa Google

                                             Aproximadamente 6.360.000 resultados (0,51 segundos)

                               Carolina Maria de Jesus  - livro quarto de despejo

                                          Aproximadamente 15.400 resultados (0,29 segundos) 

                                                         Sábado 11/01/2014

                                                                    Perdoem a irreverência....

Griot = Em  Afrique noire. Membre d`une caste de conteurs ambulants, auquel on atribue parfois des pouvoirs magiques {Le Robert, dictionnaire de la langue française}

 A etimologia do nome Favela     


Na coleção Novo conhecer da Abril Cultural no livro Brasil sob o título  Rio: de 1800 aos nossos dias na página 300 coluna c traz sobre as transformações pelas quais passava a capital do Império agora república, o seguinte trecho :
 “A vida social recebeu um novo verniz pariense. Mundanismo e literatura estavam na ordem do dia e uma coisa mal se distiguia da outra. 
Os salões que vinham do Império, se renovavam. O povo pobre ainda não vivia em favelas. Mas, a primeira delas, a Favela propriamente dita, já se esboçava perto de onde é hoje a Centrak do Brasil.

 Era um amontoado de casas ou barracos onde se haviam fixado antigos soldados da Guerra de Canudos, com as esposas trazidas da Bahia.
Deram ao local o mesmo nome de um morro do Arrail de Canudos: Favela.  
    O escritor Pedro A. Pinto, no raríssimo “Os Sertões de Euclides da Cunha” (Vocabulário e Notas Lexicológicas), Rio, Editora Francisco Alves, 1930, define o termo FAVELA como: “Monte ao sul de Canudos”. Cita também o termo faveleira, afirmando ser uma espécie de planta euforbiácea, que segundo o próprio Euclides da Cunha, significa leguminosa. Por último, a descrição botânica do termo FAVELA, encontra-se às páginas 37 e 38 da obra citada da seguinte forma: “AS FAVELAS, ANÔNIMAS AINDA NA CIÊNCIA – IGNORADAS DOS SÁBIOS, CONHECIDAS DEMAIS DOS TABARÉUS – TALVEZ UM FUTURO GÊNERO CAUTERIUM DAS LEGUMINOSAS, TÊM, NAS FOLHAS DE CÉLULAS ALONGADAS EM VILOSIDADES, NOTÁVEIS APRESTOS DE CONDENSAÇÃO, ABSORÇÃO E DEFESA”.
   
  
Assim sendo, o termo FAVELA, citado em OS SERTÕES de Euclides da Cunha, não tem o significado pejorativo que tem nos dias de hoje: “FAVELA, (...) Conjunto de casebres toscos e miseráveis, geralmente em morros, onde habitam marginais (...).”  (Dicionário Caldas Aulete, Rio, Delta, Edição Brasileira, 1958.) 
O Padre Fernando Bastos de Ávila, S.J., em sua Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo, Rio, MEC/FENAME, 2.ª edição revista e atualizada, 1972, afirma textualmente o seguinte:  “FAVELA. Etimologicamente é um termo latino que significa pequena fava. Historicamente, é o nome de uma pequena colina de uma região da Bahia, de onde provieram os migrantes que se instalaram, pela primeira vez, no Rio de Janeiro, nas imediações da Estação Pedro II da Central do Brasil. Ocuparam, na ocasião, uma pequena elevação, que, pela semelhança com a colina baiana, chamaram de favela. Daí o nome se estendeu a todas as aglomerações de barracos construídos na cidade do Rio de Janeiro, seja em escarpas, seja em regiões planas, em geral alagadiças, e que apresentam as seguintes características: 1) ocupação efetiva do terreno, sem título jurídico que dê aos ocupantes a posse legal do mesmo; 2) carência de serviços básicos de qualquer aglomeração urbana, principalmente água e esgotos; 3) precariedade das construções dos barracos, feitos pelos próprios moradores, não só sem nenhum plano de conjunto que os proteja contra incêndios  e facilite a circulação, como sem garantias de estabilidade contra a ação das intempéries, especialmente das chuvas torrenciais; 4) condições subumanas de vida, em especial devidas à exigüidade do espaço que obriga a uma vida de promiscuidade. (...)  As favelas são o resultado de dois fatores básicos: 1) o ritmo das migrações internas (...); 2) o baixo nível dos salários. (...) Não existe uma solução única para todas as favelas; nem se pode tratar de erradicá-las para as transplantar para as zonas periféricas, porque a favela não é um fenômeno vegetal, e sim humano: nem se trata de urbanizá-las todas ‘in loco’, porque muitas estão localizadas  em sítios que exigiriam custos vultosíssimos para o mínimo de condições indispensáveis de urbanização. (...)” 
             
                                     Uma foto colorida da favela

Iniciei com a definição etimiologica da palavra favela, porque acredito que ajudará na compreensão dos significados dos trechos do livro ou comentários que irei inserir nesta postagem sobre a digníssima dama Carolina Maria de Jesus. 


Na definição de favela, pode-se vêr que há preconceitos declarados, e descrições de uma situação onde uma população esquecida pelo Estado é explorada e execrada pela sociedade burguesa.
Não a conheci Carolina e não havia lido seus livros, somente havia lido algumas resenhas á muito tempo, porém, a idéia ficou latente e quando de forma fortuita a oportunidade de ler o seu livro Quarto de despejo, apareceu, não titubiei  e durante a leitura fui encantando-me com sua forma simples, não obstante, cheia de significados e ensinamentos sobre o comportamento e forma de viver dos diversos estratos sociais do Brasil.

Vou inserir um trecho de 20 de maio de1955, para ilustrar,

..."Abri a janela e vi as mulheres que passam rápidas com seus agasalhos descorados e gastos pelo tempo. Daqui a uns tempos estes palitol  que elas ganharam de outras e que de há muito devia estar num museu, vão ser substituído por outros. É os políticos que há de nos dar.
Devo me incluir, porque eu também sou favelada....Sou rebotalho. Estou no quarto de despejo, e o que está no quarto de despejo ou se queima ou se joga no lixo".
  

Perspicácia, consciência,lirismo, amargura, atributos dos grandes literatos incensados pela mídia, mas no caso dela com tradução em vários idiomas, parece-me que não, pelo menos foi o que inferi ao fazer a rápida pesquisa no Google, e pelo pífio resultado obtido, em um contexto, onde os meios de comunicação, junto com às afirmações oficiais através de seus orgãos de cultura dizem que querem,  promover políticas afirmativas , dar,  exaltar, fortalecer, a chamada cultura e a "arte popular", justificam a minha irreverência  inicial.
Creio ser possível, arrolar no conjunto, a questão da educação, pois, Carolina ( soa-me lindo este nome), com apenas dois anos de escola, conseguir ler, escrever e produzir uma vasta obra ainda hoje, desconhecida do grande
          
público  e na qual consta o  livro Quarto de despejo, que segundo José Carlos Sebe Bom Meihy "Vale ressaltar que não se fala apenas de um esquecimento corriqueiro visto que o livro em questão tem cerca de um milhão de cópias vendidas em todo mundo, sendo, inclusive, o texto brasileiro mais publicado em todos os tempos" 
[ R E V I S T A U S P, São Paulo  : 8 2 - 9 1 , M arço / M aio 1 9 9 8 ]

E quando leio as realizações dos grandes gênios da cultura ocidental, noto que apresentam seus pendores em tenra idade e em um meio familiar apropriado, ou por mecenato, florescem e são exaltados e mostrados como exemplo de superação do espírito humano, mas o que dizer de Carolina?.

Quando o jornalista Audálio Dantas a encontrou -  sem nenhum demérito para o fato -  seus livros já estavam escritos, sua personalidade formada, conjuntamente com sua bagagem cultural, de onde veio tudo isso?.

Pelo que li sobre Carolima pude depreender que suas fontes de informação além do rádio por ela citado, seriam jornais, revistas e talvez livros que encontrava  jogados talvez, no lixo em sua sofrida trajetória de trabalhadora humilde.
No entanto, esses fatos não impediram que ela adquiri-se as qualidades necessárias para o desenvolvimento de sua obra, e considerando-se os dias de hoje, segundo os orgãos que pesquisam os indices de educação :

No Brasil, 53,7% (Relatório do Unicef de 2008.Jornal O Globo, 10/06/2009.) de alunos matriculados no ensino fundamental conseguem concluí-lo, e destes, 85,7% (Pesquisa Todos pela Educação. Jornal O Globo, 12/12/2008.) sabem menos que deveriam.
                        

Já no ensino médio, dos alunos matriculados 50,9% conseguem concluí-lo.
Em 2007, 12,7% ficaram reprovados e 13,2% largaram os estudos.
Essa é uma realidade até certo ponto assustadora, se levarmos em consideração que o Brasil não está dando conta de minimamente alfabetizar seus cidadãos.
Grande parte daqueles que acabam o ensino fundamental são tidos como analfabetos funcionais, isto é, não compreendem um texto mais extenso e, muito menos, os mais complexos, além de não serem capazes de se fazer plenamente compreendidos por escrito.

Então, contextualizando-se o periodo de vida de Carolina com o da informação acima, por inferêcia, chega-se a conclusão que temos uma pessoa de dotes excepcionais que poderia servir certamente no mínimo, como paradigma,  de superação para milhares de pessoas em situações análogas no Brasil, e no entanto, desprezamos.
Para não perder o foco na questáo da educação, anexo parte do prefácio do livro de Paulo Freire A Pedagogia do Oprimido do Professor Ernani Maria Fiori
"Paulo Freire é um pensador comprometido com a vida: não pensa idéias, pensa a existência. E também educador: existência seu pensamento numa pedagogia em que o esforço totalizador da "práxis" humana busca, na interioridade desta, retotalizar-se como "prática da liberdade".
Em sociedades cuja dinâmica estrutural conduz à dominação de consciências, "a pedagogia dominante é a pedagogia das classes dominantes".
Os métodos da opressão não podem, contraditoriamente, servir à libertação do oprimido.
Nessas sociedades, governadas pelos interesses de grupos, classes e nações dominantes, a "educação como prática da liberdade" postula, necessariamente, uma "pedagogia do oprimido".
Não pedagogia para ele, mas dele. Os caminhos da liberação são os do oprimido que se libera: ele não é coisa que se resgata, é sujeito que se deve autoconfìgurar responsavelmente.

A educação liberadora é incompatível com uma pedagogia que, de maneira consciente ou mistificada, tem sido prática de dominação.

A prática da liberdade só encontrará adequada expressão numa pedagogia em que o oprimido tenha condições de, reflexivamente, descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica.
Uma cultura tecida com a trama da dominação, por mais generosos que sejam os propósitos de seus educadores, é barreira cerrada às possibilidades educacionais dos que se situam nas subculturas dos proletários e marginais.

Com a palavra Le griotte

21 de maio de 1958....Quem deve dirigir é quem tem capacidade. Quem tem dó e amizade ao povo. Quem governa o nosso páis é quem tem dinheiro, quem não sabe o que é fome, a dor, e a aflição do pobre. Se a maioria se revolta, o que pode fazer a minoria? Eu estou do lado do pobre, que é o braço. Braço desnutrido. Precisamos livrar o páis dos políticos açambarcadores.

Pegando carona nos baixos indíces relativos a educação no Brasil, principalmente no quesito leitura insiro uma outra parte do referido prefácio que considero pertinente à esta postagem:

"Talvez seja este o sentido mais exato da alfabetização: aprender a escrever a sua vida, como autor e como testemunha de sua história, isto é, biografar-se, existenciar-se, historicizar-se.
Por isto, a pedagogia de Paulo Freire, sendo método de alfabetização, tem como idéia animadora toda a amplitude humana da "educação como prática da liberdade", o que, em regime de dominação, só se pode produzir e desenvolver na dinâmica de uma "pedagogia do oprimido".(Idem)

Aqui insiro outro trecho de Carolina que entendo retratar de forma lirica a questão:

20 de maio de 1958 .... Os politicos sabem que eu sou poetisa. E que o poeta enfrenta a morte quando vê seu povo oprimido.

E com certo atrevimento de minha parte correlaciono ao exposto um dos conceitos da  teoria semiótica que segundo SAUSSURE:

A língua é um sistema de signos que exprime idéias e, por isso, comparável à escritura, aos ritos simbólicos, aos sinais militares, ao alfabeto dos surdosmudos etc.

Ela é apenas o mais importante desses sistemas. Pode-se, portanto, conceber uma ciência que estude a vida dos signos no seio da vida social.
A prática da liberdade só encontrará adequada expressão numa pedagogia em que o oprimido tenha condições de, reflexivamente, descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica.
Uma cultura tecida com a trama da dominação, por mais generosos que sejam os propósitos de seus educadores, é barreira cerrada às possibilidades educacionais dos que se situam nas subculturas dos proletários e marginais.

Com a palavra Le griotte

21 de maio de 1958....Quem deve dirigir é quem tem capacidade. Quem tem dó e amizade ao povo. Quem governa o nosso páis é quem tem dinheiro, quem não sabe o que é fome, a dor, e a aflição do pobre. Se a maioria se revolta, o que pode fazer a minoria? Eu estou do lado do pobre, que é o braço. Braço desnutrido. Precisamos livrar o páis dos políticos açambarcadores.
Pegando carona nos baixos indíces relativos a educação no Brasil, principalmente no quesito leitura insiro uma outra parte do referido prefácio que considero pertinente à esta postagem:

"Talvez seja este o sentido mais exato da alfabetização: aprender a escrever a sua vida, como autor e como testemunha de sua história, isto é, biografar-se, existenciar-se, historicizar-se.
Por isto, a pedagogia de Paulo Freire, sendo método de alfabetização, tem como idéia animadora toda a amplitude humana da "educação como prática da liberdade", o que, em regime de dominação, só se pode produzir e desenvolver na dinâmica de uma "pedagogia do oprimido".(Idem)

Aqui insiro outro trecho de Carolina que entendo retratar de forma lirica a questão:
20 de maio de 1958 .... Os politicos sabem que eu sou poetisa. E que o poeta enfrenta a morte quando vê seu povo oprimido.
E com certo atrevimento de minha parte correlaciono ao exposto um dos conceitos da  teoria semiótica que segundo SAUSSURE:

A língua é um sistema de signos que exprime idéias e, por isso, comparável à escritura, aos ritos simbólicos, aos sinais militares, ao alfabeto dos surdosmudos etc.
Ela é apenas o mais importante desses sistemas.   Pode-se, portanto, conceber uma ciência que estude a vida dos signos no seio da vida social.
Em outras palavras, deveria haver mais de Carolina nas escolas, considerando-se as condições das periferias, mas, friso não apenas estas, em função, primeiro pela identificação com o (significante) ou seja, a coisa que


                               

se quer apreender, segundo pela linguagem (objeto) a representação sensível do significante, intrerprete (aluno) para quem se destina a mensagem..
Pois, pelo que consegui entender do método de Paulo Freire, a representação sensível do significante quando associado ao contexto social do intérprete, é extremamente eficiente para sua assimilação..
Retornando ao quesito produção de Carolina Maria de Jesus, produção esta que de acordo com texto de José Carlos Sebe Bom Meihy

"No processo de elaboração do texto Cinderela Negra, juntamente com a família de Carolina Maria de Jesus, acabamos por localizar uma caixa com trinta e sete cadernos, contendo cinco mil cento e doze páginas.
(No momento essa documentação está sendo microfilmada pela Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e será oportunamente colocada a público,R E V I S T A U S P, S Ã O P A UL O ( 3 7 ) : 8 2 - 9 1 , M A R Ç O / M A I O 1 9 9 8).

O acervo encontrado trazia uma quantidade grande de poemas, contos, quatro romances e três peças de teatro.
Isso, entre lições escolares dos filhos, receitas de bolos, contabilidade doméstica.
Escritos todos com a letra firme, clara e corrente de Carolina, tudo em papéis velhos encontrados no lixo, guardados sem o cuidado devido (18 Um dos aspectos mais interessantes dessa documentacão reside no fato de Carolina escrever e copiar várias vezes - algumas com importantes acréscimos e modificações - o mesmo texto.
Assim, por exemplo, o romance Dr. Silvio tem partes quatro vezes copiadas. A pergunta que se faz é por que Carolina procedia dessa forma? Quais seriam os motores de sua atividade).

A surpresa dessa descoberta revelava legiões de temas insuspeitados na obra de Carolina que, afinal, ficou identificada publicamente apenas com o fragmento de seu diário posto a público (Torna-se importante ainda salientar que o "primitivo" diário publicado por Audálio Dantas sob o título Quarto de Despejo não corresponde exatamente aos textos que Carolina escreveu. Algumas "correções" e muitos cortes acabaram, a nosso ver, por comprometer o texto, sugerindo que Levine e eu publicássemos nova versão do texto intitulada Meu Estranho Diário.

A versão de Dantas foi publicada em várias edições pela citada Francisco Alves e recentemente pela Editora Ática (1994) em edição popular, destinada ao público estudantil.).
Isso é limitador pois tem-se a revelação, dita pela própria Carolina, de que o seu intuito enquanto escritora era ser "poeta" ( Sobre o significado da poesia no conjunto dos escritos carolinianos, leia-se: Antologia Pessoal, organizada por J. C.Meihy e publicada pela Editora da UFRJ (Rio de Janeiro, 1995).).

Em várias ocasiões ela mostrava que tinha aptidão para o conto, tendo inclusive alguns publicados.
A existência preciosa de quatro romances enormes, por outro lado, demonstra que estamos em face de um caso único na história da cultura popular nacional, onde, na favela, uma autora semi-alfabetizada produziu uma obra que, segundo o impulso inicialmente dado, seria uma promessa de renovação de nossos critérios de definição cultural.
É o "apagamento" dessa carreira que seria brilhante que interessa analisar.

Paradoxalmente, ao se pesquisar por estudos da obra da autora  encontra-se milhões de citações nos sítios / sites estrangeiros, para isto cito partes do texto que tomo como referência em www.letras.ufmg.com.br/literafro

" Outra marca dessa indiferença, apontada por Alfredo Boneff
(http://www.afirma.inf.br/textos/cultura_julho.rtf) é o fato de a obra da autora ser mais estudada nos países estrangeiros do que no Brasil.

Para atestar esse fato, basta verificar a numerosa fonte de pesquisa sobre a escritora disponível na internet e constatar que a maioria dos textos constam em inglês ou espanhol.".

José Carlos Sebe Bom Meihy assim comenta a indiferença crítica e de público legada à produção dos escritos de Carolina:

O alcance de seu livro mais importante, Quarto de despejo, colocado a público em 1960, projetou-a como sucesso inquestionável, ainda que fátuo marcante. A glória de Carolina era perturbadora, mas, dadas as seqüentes ondas de apagamento de sua produção publicada, o sucesso funcionou-lhe como contraponto intermitente no céu nacional prenhe de literatura de mulheres bem nascidas.
Neste sentido, o aparecimento de Carolina no mundo reconhecido e público dos brancos era uma licença democrática.
O discreto charme da burguesia nascente, contudo, não continha o mau cheiro de lixos alimentadores de misérias escondidas em favelas que inchavam as promessas de megalópoles.   Explicitação disto é dada pelo tratamento crítico-literário e historiográfico legado à obra da escritora que, depois de figurar como 'estrela de um novo tempo', foi apagada, sendo esquecida porque sua história se desbastou entre nós arredondando diferenças. Enfim, a lógica do tempo mostrou-se senhora da razão: o silêncio colocou todas as coisas (e pessoas) no lugar devido. (Apud JESUS: 1996, 9)

Em consequência desse desprezo cultural e social, a produção literária de Carolina Maria de Jesus permanece como mencionado anteriormente, desconhecida do grande público.

Para dar uma pausa nesta postagem, refletir e consolidar os pensamentos sobre o assunto, vou utilizar a conclusão do artigo redescobrindo Carolina Maria de Jesus, a cidadã do mundo da Doutora em Literatura Comparada - UEPB.  Sueli Meira Liebig

"Enfim, o estudo acurado da fortuna crítica dessa mineira de Sacramento poderá constituir-se numa poderosa ferramenta de pesquisa que instigará no leitor brasileiro o conhecimento e o gosto pela obra de Carolina e que igualmente inspirará no crítico nacional a vontade de rever conceitos hoje tidos como obsoletos ou ultrapassados, principalmente através de uma abordagem pós-colonial, em que as identidades hoje muito mais fluidas que ontem contam com uma rubrica que as autorizam, desde o lugar de onde se insinuam, a fazer valer a voz do oprimido."


                             
                        
Com a palavra Carolina Maria de Jesus (1914 - 1977)

19 de maio de 1958..;;Contemplar extasiada o céu cor de anil. E eu fiquei compreendendo que eu adoro o meu Brasil. O meu olhar posou nos arvoredos que existe no inicio da Rua Pedro Vicente. As folhas se movia. Pensei: elas estão aplaudindo este meu gesto de amor á minha pátria. (.....) Toquei o carrinho e fui buscar papéis. A Vera ia sorrindo. E eu pensei no Casemiro de Abreu, que disse: "Ri criança. A vida é bela". Só se a vida era boa naquele tempo.
Porque agora a época está apropiada para dizer: "Chora criança. A vida é amarga".

Ps: Graças às inestimáveis pesquisas de Robert Levine e Meihy , muitos manusritos de Carolina foram microfilmados, em 1996, e encontram-se disponíveis na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro,