domingo, 27 de julho de 2014

Satélites Artificiais - Cinturão de Clarke

                        
Isaac Newton anuncia em 1686 sua teoria da gravitação universal, que assenta as bases para o uso dos satélites artificiais. Mais tarde, em 1903, o russo Konstantín Tsiolkovski publica o primeiro tratado acadêmico sobre o emprego de foguetes para colocar objetos em órbita ao redor da terra.
O engenheiro esloveno Herman Potocnik descreve em em 1928 o uso de naves orbitais para observação pacificas e militares e como se poderia utilizar as condições do espaço para realizar experimentos científicos, assim como, a possibilidade de satélites geoestacionários.
Em 1945 o escritor britânico de ficção cientifica Artur C. Clarke indica a possibilidade de estabelecer uma rede de satélites de comunicações, afirmando que três satélites geoestacionários situados a 120° cada um, proporcinariam a cobertura completa do planeta.
O lançamento do primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik 1, em 4 de outubro de 1957, marca o início
                                                   
 da Era Espacial. O Sputnik, era uma esfera de alumínio de 58 cm de diâmetro e 84 kg de massa, com instrumentos rudimentares e um transmissor de rádio. Entrou em órbita elíptica entre 230 e 942 km de altura.
Um mês depois a URSS pôs em órbita o segundo Sputnik, de meia tonelada, com uma cadela de nome Laika a bordo,

                                                    
usando um foguete com empuxo de centenas de toneladas. O primeiro satélite lançado pelos EUA com sucesso foi o pequeno Explorer 1, de 8 kg, em 31 de janeiro de 1958. A vida útil desses primeiros satélites em geral não passava de poucas semanas.
A URSS atingiu a Lua com uma sonda de impacto (Luna 2) em setembro de 1959. No mês seguinte, com a Luna 3, obteve imagens da face da Lua que nunca é vista da Terra.
E a partir desta data, o homem colocou satélites artificiais em órbita de quatro outros astros do sistema solar: em 1959, o Luna I, em torno do Sol; em 1960 os EUA lançaram um satélite meteorológico (Tiros 1), um satélite de navegação (Transit 1B) e um satélite passivo de comunicações (Echo 1).
 Este último era um enorme balão esférico inflado no espaço para refletir as ondas de rádio. Ao findar aquele ano já tinham entrado em órbita 44 satélites.em 1966, o Luna X, em torno da Lua; em 1971, o Marine IX, em torno de Marte; e, em 1975, o Venua IX, em torno de Vênus.
 Em 1993, o Brasil lançava o seu primeiro satélite, o SCD-1 (Satélite Brasileiro de Coleta de Dados-1).
Na década de 1960, os satélites começaram a influenciar, de maneira efetiva, o nosso cotidiano com o lançamento, em 1962, do satélite TELSTAR e, em 1965, do INTELSAT-1.
 Iniciava-se, assim, a rede mundial de comunicação por satélite, a qual possibilitava o envio de imagens de televisão ao vivo.  
Desde então, satélites de variados tipos e configurações são colocados orbitando a terra e no âmbito espacial independentemente das condições sócio-politicas a ciência busca responder as perguntas fundamentais, tais como, a origem da vida, novos materiais, entre outras, através de experiências que somente podem ser realizadas em um ambiente com condições especiais, como as encontradas fora da atmosfera terrestre.
Com este propósito foi colocado em orbita, o projeto da Estação Espacial Internacional que um exemplo dos objetos que orbitam ao redor da terra.
                         
                                                             Figura da estação espacial
O termo “estação espacial” foi cunhado pelo romeno Hermann Oberth em 1923, que a concebeu com a forma popular de um toróide posto em lenta rotação, e já lhe atribuiu objetivo de entreposto para futuras missões para a Lua e Marte. Em 1928 o austríaco Herman Noordung apresentou os primeiros esquemas para uma possível estação, já considerando o lançamento por meio de foguetes e sua divisão em módulos com diferentes funções.
Os passos seguintes foram dados pelo alemão Wernher von Braun, que em 1946 apresentou aos militares americanos planos para uma estação espacial. Após aperfeiçoamentos, ele os publicou em 1952 na forma de artigos e documentários com planos preliminares que incluíam dimensões e órbita.
Neles a estação mantinha a arquitetura toroidal como forma de garantir um ambiente de gravidade artificial. A ela ele atribui as funções de observação da Terra, laboratório, observatório astronômico e entreposto para missões destinadas à Lua e a Marte, basicamente as mesmas funções atribuídas à Estação Espacial Internacional (International Space Station – ISS) dos dias atuais.
Vale assinalar que a primeira estação espacial da historia foi a Salyut 1, lançada em 1971.
Entre 1971 e 2001, a União Soviética, depois a Rússia apenas, desenvolveu lançou e operou três gerações de estações espaciais. A primeira geração incluiu as naves Salyut 1 a 5 e durou de 1971 até 1977.
A segunda incluiu as Salyut 6 e 7 de 1977 a 1991. A terceira geração, a primeira de estações permanentes, foi a nave MIR, que teve sua montagem iniciada em 1986 e que foi operada até 2001, ano de sua retirada
                                              
de órbita. Com a sua entrada no programa da ISS, os esforços para o desenvolvimento de uma estação sucessora da MIR foram redirecionados para o desenvolvimento da parte russa da ISS, derivada dos planos originais daquela que seria a MIR 2, que acabou não se realizando.

  Aplicações 
Os satélites possuem diversas utilidades para a humanidade e estão diretamente relacionados a muitas das tecnologias de informação e comunicação utilizadas pelo homem atualmente, como TV, internet e telefonia celular. Além disso, os satélites dão uma imensa contribuição para o estudo dos fenômenos da natureza no planeta Terra, bem como a observação dos planetas do sistema solar, e até outros astros mais distantes. Existem ainda alguns satélites com finalidades pouco convencionais, como é o caso do satélite Celestis, que carrega cinzas de pessoas cremadas (CORRÊA, 2010).
Satélites de pesquisa em recursos naturais: permitem obter diversos tipos de informações, como pesquisas sobre o magnetismo terrestre, a atmosfera e ionosfera, mapeamento de recursos naturais (oceanos, mares, rios, lagos, terras, florestas) e coleta de dados de morfologia do solo.
Esses satélites tem uma importância em especial para a Geografia, pois os dados coletados por esse tipo de satélite, expressados acima são temas de grande interesse dessa área de estudo (CORRÊA, 2010).
Satélites astronômicos: São basicamente sondas, que fazem a coleta de dados astronômicos de planetas, galáxias, estrelas, meteoros e meteoritos dentre outros. Inicialmente essas sondas orbitam a Terra para só depois se encaminharem ao planeta de destino, por isso consideramos que as mesmas se comportam, durante certo tempo, como satélites (CORRÊA, 2010).
Um dos satélites astronômicos mais conhecidos é o Hubble que é um telescópio óptico lançado pelos Estados Unidos no ano de 1990.
Satélites meteorológicos: são utilizados para estudo e análise do clima do planeta e das suas intempéries. Uma análise bem detalhada e livre de grandes alterações só pode ser feita a partir do espaço, onde o satélite pode coletar dados precisos sobre distribuição das nuvens, correntes marítimas nos oceanos, os principais processos atmosféricos, verificar o nível da irradiação térmica da Terra para o espaço, detectar a formação de furacões, dentre outros (CORRÊA, 2010).
Satélites de telecomunicação: possuem uma importância que merece destaque. Eles são responsáveis pela recepção e envio dos sinais de telefonia celular, algumas modalidades de internet e de TV. O Brasil tem um satélite desse tipo, que foi posto em órbita pela empresa Embratel, chamado Brasilsat (CORRÊA, 2010).
Em 1990 a empresa Motorola colocou em marcha um projeto de nome Iridium que consistiu em colocar em orbita um grande numero de satelites (66 no total, embora no inicio seriam 77), em função da camada atômica do elemento Iridium que deu nome ao projeto). Estes satélites se colocariam em grupos de onze
                                               
                                                                        Iridio
em seis órbitas circumpolares (seguindo os meridianos) a 750 km de altura, repartidos de forma homogénea a fim de constituir um quadriculado que cobriria toda a terra.
Cada satélite tem o perido orbital de 90 minutos, fazendo que em um ponto dado da terra, o satélite mais próximo esteja a distância de 8 minutos.

                           

                                                             orbitas da rede Iridium                    

Os 66 satelites realizam orbitas quase circulares com uma inclinação 86.4 grados a uma altitude de 750 Km da superficie da terra.
Existem 6 planos orbitais separados entre si em 30° com onze satélites em cada plano, como anteriormente mencionado.
A distância N – S entre os satélites dntro de um plano, permanece constante enquanto que a E – O entre os satélites de diferentes planos varia constantemente, diminuindo á medida que se aproximam dos pólos.
E nos pólos, onde se concentram as órbitas, há uma desconexão de células especificas dos satélites para se evitar interferências entre os mesmos.
Também há seis satélites de reserva, sendo um por plano, a uma órbita ligeiramente inferior ( 690 Km).
GPS
Satélites de navegação: têm como principal utilidade possibilitar a localização de um determinado objeto na superfície terrestre, e se divide em dois tipos: os de localização e os de posicionamento.
Os satélites de localização são mais antigos, e necessitam que o objeto que se quer encontrar na superfície da Terra emita um sinal, para que seja captado pelo satélite, e assim este indique a localização. Já o de posicionamento não necessita dessa emissão de sinal.
O segundo tipo é amplamente utilizado nos atuais aparelhos de GPS (CORRÊA, 2010).
Satélites militares: Se destinam, ou pelo menos se destinavam, a realizar o mesmo trabalho que os de navegação e localização, além de outros com caráter especificamente militar. Esse tipo de satélite foi utilizado em especial na época da Guerra Fria, onde Estados Unidos e União Soviética buscavam constantemente desenvolver aparatos militares e tecnológicos mais avançados que os da sua nação rival. Ambas as nações lançaram satélites que tinham objetivo de monitorar a nação
inimiga, e descobrir o que ela estava fazendo, com o intuito de se prepara para eventuais ataques da nação inimiga (CORRÊA, 2010).
Tipos de Satelites
Uma maneira simples de se diferenciar os diversos sistemas de satelites é pela altitude que se encontram.
Que também, é um fator chave para determinar quantos satélites são necessários para conseguir uma cobertura e a potencia necessária para a transmissão. Pois, a certo ângulo de ação da antena do satélite, a área de cobertura do mesmo será muito menor estando em uma órbita de pouca altura que em outra de maior altura.

                                  

Por consequencia, a potência necessária para transmissão em uma órbita baixa é muito inferior a necessária em casos de maior altura da órbita.
As órbitas são classificadas da seguinte maneira:
Órbita Geoestacionaria (GEO - Geostationary Earth Orbit)
É uma orbita circular com um periodo de um dia sideral, e para se obter esse periodo a órbita deve ter um raio de 42.164,2 km (desde o centro da Terra).
Órbita de media altura (MEO – Medium Earth Orbit )
Estas órbitas são as que vão desde 9.600 km até a altura dos satélites geoestacionarios, os satélites de órbita media são muito utilizados nas comunicações movéis e televisão.
Órbita de baixa altura (LEO – Low Earth Orbit )
Orbita que abrange uma distancia entre 160-2000 km e os sálites nessa órbita, os satélites nessa órbita viajam com velocidade aproximada de 27.400 km/h ou 8 km/s. Em consequência um satélite nessa órbita leva de 90 minutos para dar uma volta ao redor da Terra.
 Estes satélites são usados para proporcionar dados geológicos sobre o movimento das placas terrestres e para a industria de telefonia por satélite. Possuem um ganho de banda extraordinário e uma latência (atraso) reduzida. Se projeta ter “enxames” de centenas de satélites que abarcaria todo o planeta.
A órbita LEO abrange a distância abaixo dos 5035 kilómetros, e a maioria dos satélites encontram-se muito mais abaixo, entre os 600 – 1600 Km. Nesta baixa altitude, a referida latência adquire valores desprezíveis de uns poucos centésimos de segundo.
As comunicações via satélites possuem algumas características singulares, em primeiro lugar está o retardo (latência), que é introduzida na transmissão de sinais a longa distâncias. Para um satélite geoestacionário com 36.000 km de altura orbital, o sinal necessita viajar uma distância mínima de 76.000 km, fato que introduz um retardo de aproximados de 240 milisegundos (240 X 10 - ³ ), somente na transmissão; na pratica o retardo é de 250 a 300 milisegundos segundo a posição relativa do emissor, do receptor e do satélite.
Em uma comunicação  VSAT-VSAT os tempos se duplicam devido a necessidade da passagem do sinal por um hub (distribuidor) para direcionamento do mesmo.
A titulo comparativo, em uma comunicação terrestre por fibra óptica, a 10.000 km de distância, o retardo pode superar 50 milisegundos (a velocidade das ondas eletromagnéticas no ar é de 300.000 km/s, enquanto que no vidro e no cobre é de mais ou menos 200.000 km  ). Em alguns casos os retardos podem representar sérios incovenientes, ou degradar de forma apreciável o rendimento das comunicações, se as regras (protocolos) não estiverem preparados para este tipo de rede.

Com os satélites na LEO como já dito, este retardo é menor, resultando em comunicações mais naturais.
Órbitas dos satélites 
Existe uma altura na qual o período orbital do satélite coincide com o período orbital da terra. Esta altura é de aproximadamente 35.786,04 Km, descontando-se o raio da terra e esta órbita é conhecida como cinturão de Clarke, em homenagem ao famoso escritor de ficção cientifica que foi o primeiro a propor esta idéia no ano de 1945
Vistos à partir da terra, os satélites que giram nesta órbita parecem  estar imóveis no céu, e  por isso são chamados satélites geoestacionários.
A órbita geoestacionária, conhecida comumente pelo acrônimo GEO (do inglês Geostationary Earth Orbit), é uma órbita circular sobre o plano do Equador da Terra como já mencionado, a 35786.04 km de altitude.
Um satélite posicionado nessa órbita gira na mesma direção e possui a mesma velocidade angular da Terra, portanto, se encontra parado relativamente a um ponto fixo sobre a Terra. Atualmente 435 dos 1071 satélites operacionais (41%) são geoestacionários (Technical Issues: UCS Satellite Database, 2013).
Isto tem duas vantagens importantes nas comunicações: permitem o uso de antenas fixas, pois sua orientação não muda e garante o contato permanente com o satélite.

Cálculo da orbita dos satélites artificiais

É  possível calcular de maneira aproximada a altura de um satélite artificial mediante uma simples observação  visual.
Para isso deve-se anotar a hora em o satélite desaparece na sombra terrestre e conhecer ou calcular a hora em que o sol desaparece no horizonte ( hora do poente).
Desta maneira, para um observador O, se forma o triângulo CSP da figura abaixo (sendo C, o centro geométrico da terra, o ponto S, a posição do satélite na entrada da sombra da terra (conforme desenho abaixo), e o ponto P, a posição na superfície terrestre aonde o  sol se poêm.). O ponto R, é o raio da terra ( valor médio = 6371 km.).
Temos então que, o ângulo C é o produto obtido, à partir da hora de observação, menos a  hora em que ocorre o poente do Sol ( ambas em horas e frações), sendo o valor dividido pelas 24 horas da rotação da terra, e o resultado multiplicado por 360°, conforme a formula abaixo:

     
                                                                                                     

Então a longitude se calcula mediante:
                               
                                     
                                                                 
A altura do satélite será:       h = l - r

                                                 
                                                            figura - Orbita_Satelite
                                       
                                       
Os satélites artificiais orbitando ao redor da Terra para permanecerem girando ao redor da terra devem mover-se a uma velocidade tal que se compense a força da gravidade e não caiam na terra, porém, que não seja excessiva e abandone a órbita escapando do fluxo  gravitacional da terra.
A velocidade de lançamento é a velocidade de escape da  superfície da terra que é de 11,2 km/s, o que equivale a 40320 km/h.

Para um satélite orbitando a distancia r sua velocidade de translação é:
                     
                         
                                                             velocidade translação
Sendo que a o semicírculo maior da elipse que percorre e r o raio de distância ao foco, que neste caso é o centro da terra, e o centro médio da terra é considerado com o valor de 6371 km. G é a constante de gravitação universal que é                              
                                                   G = 6,674287 \times 10^{-11} \quad m^{3} kg^{-1} s^{-2}

 M é a massa da terra é  assim, o peso é =



Cada satélite dá uma volta ao redor da terra em um certo tempo, o período é dado pela seguinte formula:
                                       
                             
                                                                 periodo da terra          

Os primeiros satélites de comunicações tinham um período distinto de rotação terrestre, o que representava um movimento aparente no céu, isto tornava difícil a orientação das antenas, e quando o satélite desaparecia no horizonte a comunicação se interrompia.
Cada satélite projeta um cone de ação sobre a superfície terrestre, e somente as instalações que ficam dentro deste cone, conhecido como janelas, estabelecem comunicação com o satélite.

Atualmente se realiza o acompanhamento dos milhares de objetos colocados em orbita sobre a terra, estima-se que existam entre 4.000 e 5.000 satélites orbitando a Terra.
Na verdade, acredita-se na existência de aproximadamente 70.000 objetos, entre satélites e sucatas.
E alguns desses objetos podem pesar desde varias toneladas, como restos de foguetes, até alguns quilogramas.
E parte como deste material em orbita já se tornou obsoleto, pois, a vida útil dos satélites é estimada em 4 anos, este material obsoleto é chamado de lixo espacial
O lixo espacial
Segundo (RODRIGUES, José Sinésio)., o conceito de lixo espacial, também chamado de detrito espacial, pode ser descrito como objetos que foram criados pelo homem e postos em órbita, mas que não possuem mais utilidade, como satélites, naves espaciais, pedaços de foguetes que foram utilizados para pôr os satélites em órbita etc. Vale salientar que mesmo depois que sua vida útil acaba estes satélites e outros detritos ainda se mantém em órbita ao redor da Terra com uma velocidade de aproximadamente 30.000 km/h.
Cientistas apontam que a quantidade de lixo espacial, orbitando ao redor da Terra está chegando a valores preocupantes, e que o problema continua se agravando, pois muitos dos satélites e equipamentos desativados que continuam em órbita colidem uns com os outros, gerando grande quantidade de destroços, que por sua vez
podem colidir com satélites ainda em uso ou com naves espaciais, provocando grandes danos a esses equipamentos.
Infelizmente, muitas vezes se esquece de falar sobre o lixo espacial, quando se fala em preservação do planeta e no desenvolvimento de estratégias para corrigir os problemas gerados pela tecnologia utilizada pela humanidade. Muitos países firmam tratados que visam o uso consciente dos equipamentos espaciais e do controle do lixo espacial. Infelizmente muitas vezes esses tratados são desrespeitados pelos próprios países que os firmaram, como foi o caso da China que no ano de 2007 enviou um míssil à atmosfera para destruir um satélite de sua propriedade.
Milhares de destroços do satélite destruído se espalharam pelas órbitas, aumentando as chances de colisões e danos á outros satélites e equipamentos também em órbita.
Outro sério problema é o risco desses objetos atingirem a Terra. Normalmente, após a colisão, esses objetos diminuem de velocidade, e dependendo dessa diminuição, podem chegar a não ter velocidade o suficiente para manter-se em órbita, consequentemente caindo no planeta.
Os objetos de menor extensão normalmente se desintegram na atmosfera. O problema está nos objetos maiores, que podem manter-se com tamanho perigoso e provocar estragos e mortes nos locais onde cair. Alguns objetos já caíram em países como Estados Unidos, Canadá, França, Brasil e Nova Zelândia. Como se já não bastasse o problema da queda dos destroços em si, ainda existe o risco de contaminação por material radioativo, pois muitos satélites utilizam reatores nucleares para fornecer energia para o funcionamento do seu sistema. Uma eventual queda desse tipo de satélite certamente traria grandes consequências, não só pela colisão com o planeta, mas também pela contaminação radiológica que provocaria.
Se o problema não for resolvido, existe a possibilidade de não se poder mais continuar utilizando as comunicações via satélite.
Esse fato ocorrerá porque futuramente não será mais viável colocar satélites em órbita, pois as colisões com o lixo espacial certamente acarretará na destruição dos mesmos.
Existem algumas formas pensadas para tentar se resolver o problema do lixo espacial
Dentre elas estão:
A utilização de lasers instalados na Terra, que poderiam atingir o lixo em órbita e desviá-lo, fazendo com que caíssem na atmosfera da Terra e assim se desintegrasse durante a queda; o uso de redes feitas de material resistente e flexível, que poderiam pegar grandes quantidades de lixo, e logo após trazê-los para o planeta; fios de cobre e materiais magnéticos, que atraindo o lixo espacial e interagindo com o campo magnético da Terra atrairiam esse lixo de volta ao planeta; uso do chamado aerogel, que seria uma liga supergrudenta que colaria destroços e depois seria recolhida e trazida para a Terra; braço coletor que poderia agarrar os equipamentos e colocá-los em recipientes para trazê-los de volta a Terra e "espumas", que seriam corpos extremamente porosos para que os detritos em movimento passassem por dentro deles e reduzissem sua velocidade. Com essa redução de velocidade os detritos cairiam na Terra, e se desintegrariam devido ao atrito com a atmosfera.
De uma forma geral, nenhuma dessas técnicas está ainda sendo colocada em prática, tanto devido à necessidade de mais estudos quando aos valores exorbitantes de seus custos (BIANCHIN, 2008).

Além de todos esses problemas, analistas preveem que se o problema não for resolvido logo, ocorrerá a chamada síndrome de Kessler (video), que consiste no encapsulamento da Terra por uma camada de lixo espacial. Diante desse quadro, faz-se cada vez mais urgente a busca de soluções imediatas e eficazes para solucionar o problema. Abaixo temos uma figura que representa o quadro atual do lixo espacial ao redor da Terra, onde cada ponto branco representa um satélite em uso, estação espacial ou destroço. (RODRIGUES, José Sinésio.).

                             
                               
                     Representação de satélites e lixo espacial ao redor da Terra

Imagens obtidas dos satélites Landsat 1, 2, 3, 5 e 7 estão disponíveis gratuitamente na internet no endereço: http://www.dgi.inpe.br/CDSR/.
Imagens dos satélites CBERS estão disponíveis gratuitamente ao público no endereço da internet:
 www.cbers.inpe.br.

Efemérides para a visibilidade de satélites

É possível atualizar os dados orbitais dos satélites..
Heavens-Above (http://www.heavens-above.com) :  O melhor sitio web para obter efemérides para a observação de satélites, incluoindo detalhes de Iridium, passos da ISS e outros dados.
A partir da posição geográfica do observador (introduzida numericamente ou mediante mapas interativos), se acessa a um menú para selecionar o satélite e obter os dados de observação.

Human Space Flight (http://spaceflight.nasa.gov/realdata/tracking/index.html): Acompanhamento da ISS en tempo real, con dados atualizados no momento (NASA).


sábado, 31 de maio de 2014

Taça Jules Rimet - A vitoria Alada derretida


                        
                                                   Sim! Tal serás um dia, ó deusa da beleza, 
                                                   Após a bênção derradeira,
                                                   Quando, sob a erva e as florações da natureza,
                                                                                      Tornares afinal à poeira.
                                                                                                                                                                                                                                               Baudelaire
Taça Jules Rimet.

Jules Rimet (1873-1956) foi presidente da Federação Francesa de Futebol, de 1919 a 1945 e da FIFA, de 1921 a 1954.
Durante o Congresso da FIFA, 28 de maio de 1928, época dos Jogos Olímpicos de Amsterdã, por proposta do Comitê Executivo daquele órgão ficou decidido levar a efeito um campeonato mundial de futebol. Apareceram, então, seis países candidatos a realizar o primeiro certame: Hungria, Itália, Holanda, Espanha, Suécia e Uruguai.
No Congresso de Barcelona, em 1929, a FIFA fixou o ano seguinte para a disputa da Primeira Copa do Mundo, escolhendo o Uruguai como sede da referida disputa.
A escolha fundamentou-se em três motivos: prestígio do futebol uruguaio como campeão olímpico em 1924 e 1927; o Uruguai comemoraria em 1930 o centenário de sua independência, além da Associação Uruguai de Futebol oferecer vantagens financeiras aos participantes.
Decidida a promoção do mundial, Jules Rimet, ainda em 1929, idealizou - o que foi uma das últimas providências para concretização do seu sonho - confecção de uma bela taça.
A obra foi executada pelo artesão Abel Lafleur, em Paris, que depois, por decisão do Congresso da FIFA, realizado em Luxemburgo (01.07.1946) levaria o nome de Jules Rimet.
O rico troféu representava uma Vitória alada, levando em suas mãos, levantadas sobre a cabeça, um vaso octogonal em forma de copa.
                                       
Era de ouro puro com um quilo e oitocentos gramas e seu peso total correspondia a quatro quilos, com trinta centímetros de altura, incluindo a base de mármore em que se apoiava.
Ao pé desta, em placas especiais, passaram a figurar o nome gravado dos vencedores dos mundiais realizados até 1970. Os nomes são: 1930 (Uruguai), 1934 (Itália), 1938 (Itália), 1959 (Uruguai),
1954 (Alemanha), 1958 (BRASIL),
                   
                   

Nomes do elenco completo 

Vicente Feola (Técnico); Hilton Gosling (médico); Mario Américo (massagista); Assis(roupeiro); Paulo Amral (Preparador físico) ; Jogadores : De Sordi; Djalma Santos; Nilton Santos. Castilho; Bellini; Oreco; Orlando; Zózimo; Zito; Mauro Ramos; Gylmar; Dino Sani; Joel; Garrincha; Didi. Pelé; Vavá; Zagallo; Dida; Mazolla; Pepe e Moacir.

                                                 
                                                                             Bellini

O gesto do campeão Bellini
"Ao subir no pódio com a pequena Jules Rimet bem presa nas minhas mãos, eu lembrava os homens que batalharam por ela sem sucesso desde 1030 [...] , A Jules Rimet que levantei tinha dezenas de tonelada. Talvez por isso, eu só conseguisse erguer com as duas mãos, esticando os dois braços".
Em 1958, Bellini - capitão da seleção - inaugurava o gesto de erguer a taça da Copa do Mundo com as duas mãos.

                                                                  1962 (BRASIL),
                               


Nomes do elenco completo de 1962:

Paulo Macha do de Carvalho; Adolfo Marques; Carlos Nascimento; José de Almeida; Ronaldo Vaz Moreira (dirigente); Aymoré Moreira (técnico); Paulo Amaral (preparador físico); Mario Américo (massagista); Mario Trigo (dentista); Assis (roupeiro); Aristides (sapateiro); Jair da Costa; Djalma Santos; Didi; Mengálvio; Castilho; Pepe; Zózimo; Zito; Gylmar; Zequinha; Mauro; Amarildo; Zagallo; Nilton Santos; Váva; Pelé; Jair Marinho; Jurandyr; Altair; Garrincha e Coutinho.


1966 Inglaterra),

                                                             1970 (BRASIL).
                       
 


Nomes do elenco completo:

Em pé da esquerda para a direita: Rogério;Cláudio Coutinho (preparador físico); Carlos Alberto Parreira (preparador físico); Félix; Joel Camargo; Leão; Fontana; Brito; Clodoaldo; Zagallo(treinador); e Admildo Chirol (preparador físico); Ajoelhados ao centro: Rivelino; Carlos Alberto Torres; Baldochi; Wilson Piazza; Everaldo; Paulo César Lima; Tostão; Marco Antonio e Aldo. Sentados: Mário Américo(massagista); Edu; Zé Maria; Dario; Gérson; Roberto Miranda; Jairzinho; Pelé e Noucate Jack (massagista).

O Brasil ficou de posse definitiva da taça Jules Rimet por ter conquistado seu tri-campeonato no México na cidade de Guadalajara.

A trajetória do troféu 

A taça Jules Rimet ficou pronta em abril de 1939, antes da primeira copa do mundo, e os gastos totais atingiram 50 mil francos, uma fortuna para a época.
O belo troféu, que havia sido mantido escondido na Segunda Grande Guerra Mundial pelo desportista italiano Otorino Barassi, foi roubado na Inglaterra, em 1966, mas logo recuperado.
O ladrão foi preso, mas não revelou onde estava o troféu, que acabou sendo encontrado de um jeito realmente inusitado. David Corbette passeava com seu cachorrinho Pikles, quando este farejou algo em uma praça no sul de Londres.
Era a taça O cachorro foi premiado com um suprimento vitalício de ração.

Aqui no Brasil, de acordo com o trecho abaixo retirado de [ www.redevita.com.br] o fato da taça desaparecer era somente uma questão de tempo, como se pode inferir, pelo relato de um episódio envolvendo o médico da seleção e a forma como a segurança da taça era realizada.
"Nas duas primeiras edições da Copa do Mundo, em 1930 e 1934, não havia médico na equipe técnica da Seleção. Esse profissional só foi incluído a partir de 1938, com os médicos José Maria Castelo Branco e Álvaro Lopes Cançado, o "Nariz". 
Mas o primeiro médico a ter uma atuação crucial no torneio foi Hilton Gosling, que acompanhou a seleção campeã de 1958.
Quando foi chamado para ser o médico da seleção de 1958, Gosling era professor assistente na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, e colocou toda a equipe médica para fazer o diagnóstico e tratamento dos atletas.
Gosling convocou também o psicólogo João Carvalhaes e o dentista Mário Trigo para acompanharem a seleção. Os problemas odontológicos, aliás, eram vários e graves.
Trigo e sua equipe fizeram dezenas de extrações e obturações; muitos jogadores, inclusive Pelé, estavam ameaçados de não participar do torneio devido a problemas dentários, que ele resolveu.
O irmão Hélcio Gosling conta que, ao retornar da Copa de 1962, Hilton fez uma "travessura": trouxe a taça Jules Rimet para sua casa, para mostrar para a família e amigos. "Estávamos admirando o troféu quando, a certa altura, ligou o João Havelange, presidente da CBF, e perguntou 'Hilton, você sabe onde está a Taça?', ele respondeu 'Está aqui!', e foi devolver o troféu", conta Hélcio.

Da segunda vez o troféu não teve tanta sorte foi roubado em 1983, da sede da CBF no Rio de Janeiro. A sede foi invadida durante a noite, e a taça, levada embora. Inexplicavelmente, dentro do cofre da entidade estava uma réplica da Jules Rimet.
O roubo foi planejado por Sérgio Pereira Ayres e executado por Francisco José Rocha Rivera, o “Barbudo”, e José Luiz Vieira da Silva, o “Bigode”. Diz-se que a taça foi derretida pelo comerciante Juan Carlos Hernandez.
Os ladrões ,foram presos, mas o troféu já havia sido derretido.
E para decepção dos desportistas brasileiros, a imprensa anunciou no dia 28 de janeiro de 1984 que a taça Jules Rimet havia sido derretida no dia seguinte ao roubo, juntamente com outros troféus ganhos pelo futebol brasileiro.
Em 1986, a Kodak doou uma réplica para a CBF.
Da conquista mesmo sobrou a réplica que o Pelé ganhou da Fifa em 1970.

                           
                               
Com a conquista em definitivo da Taça Jules Rimet pelo Brasil, foi instituído um novo troféu para o mundial de 74. O Comitê Executivo da FIFA, reunido na cidade de Atenas, janeiro de 1971, deliberou a confecção de uma nova taça, com a denominação de Copa Mundial da FIFA.
Após uma comissão especial examinar projetos apresentados por 53 empresas européias de sete países, decidiu pelo projeto da Companhia Bertoni de Milão.
O autor do projeto vitorioso foi o milanês Silvio Gazzaniga, chefe da firma Bertoni, e com passagem pela Escola Superior de Artes de Milão.
A Copa Mundial simboliza a força e a pureza das disputas esportivas mundiais, representadas por
                                              
dois atletas segurando o globo terrestre.
É de ouro maciço 18 quilates, pesando cinco quilos e medindo 49 centímetros de altura, incluindo a sua base.
Nesta base existe espaço para registro de 18 vencedores de Copas, a contar de 1974 (Alemanha) o primeiro campeão da nova taça.
Em 71, o custo do novo troféu foi de 20 mil dólares. Ao contrário da taça Jures Rimet, a Copa Mundial não ficará em definitivo, em poder de nenhum país.
O vencedor de cada mundial manterá a posse da original por quatro anos. Depois disso, receberá uma réplica, apenas banhada em ouro, que reterá definitivamente. (Fonte: Museu dos Esportes: História das Copas do Mundo de Futebol)
O futebol continua lindo, dentro de campo, e arrasta multidões pelo mundo, não obstante, transformou-se em um mega - negócio, deixando para trás os tempos românticos e menos capitalista
que de acordo com um trecho escrito no livro (Brasil um século de Futebol, pág 174) diz, [...] Havelange teve adversários ferrenhos em seus 8526 dias como presidente da Fifa. Adversários políticos, esportivos, pessoais, interessados em desbancá-lo, ou idealistas esperançosos que o futebol voltasse a ser o que nunca mais seria: mais jogo do que négocio, mais amor que cobiça, mais alegria que tensão, mais prazer que dever, como nas peladas de antigamente.
Um desses idealistas, o uruguaio Eduardo Galeano, convencia-se que o reinado do super-empresário
Havelange roubara muito da pureza do jogo.
"A historia do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. Ao mesmo tempo em que o esporte se torna indústria, foi desterrando a beleza que nasce da alegria de jogar pelo prazer de jogar. Neste mundo de fim de século [1995], o futebol profissional condena o que é inútil, e é inútil o que não é rentável. 
Ninguém ganha nada com essa loucura que faz com que o homem seja menino por um momento...".
Em vista disso, non sine aliquo metus escribo, quem já se empolgou com o trecho da marchinha que dizia:
" A taça do mundo é nossa, com o brasileiro não há quem possa,
Eh ,Eh, esquadrão de ouro é bom no samba é bom no couro..."
naturalmente, também sente saudades, ai de mim !....

Sou como um rei sombrio de um país chuvoso,
Rico, mas incapaz, moço e no entanto idoso,
Que, desprezando do vassalo a cortesia,
Entre seus cães e outros bichos se entedia.
Nada o pode alegrar, nem caça, nem falcão,
Nem seu povo a morrer defronte do balcão.
Do jogral favorito a estrofe irreverente
Não mais desfranze o cenho deste cruel doente.
Em tumba se transforma o seu florido leito,
E as aias, que acham todo príncipe perfeito,
Não sabem mais que traje erótico vestir
Para fazer este esqueleto enfim sorrir.
O sábio que ouro lhe fabrica desconhece
Como extirpar-lhe ao ser a parte que apodrece,
E nem nos tais banhos de sangue dos romanos,
De que se lembram na velhice os soberanos,
Pôde dar vida a esta carcaça, onde, em filetes,
Em vez de sangue flui a verde água do Lestes.
                       ( SPLEEN – Charles Baudelaire)






sábado, 24 de maio de 2014

Água - há para todos?

          
                                                     Cataratas do Iguaçu

Um documento elaborado pela UNESCO e pela Organização Meteorológica Mundial, intitulado A água no Mundo : Há o bastante? (1997) conclui que:
“A diminuição dos recursos hídricos, associada a uma maior demanda por água potável, ameaça transformar essa matéria em uma explosiva questão geopolítica, já que aproximadamente 200 bacias hidrográficas se localizam em áreas de fronteiras de vários paises.”
Vamos nos enveredar nesta postagem pelos caminhos e percursos das águas, que sem sombra de dúvidas é um tema assaz pertinente e portanto, exige reflexão por parte de todos.
E então, por ter acesso a um espaço de comunicação que pode ser visto por várias pessoas, resolvi falar do elemento vital para a vida e da razão da existência dos igarapés (caminhos de canoa) que também nomeia este espaço.
        Igarapé
Podemos iniciar dizendo que, o estudo da Mecânica dos Fluidos teve início antes de Cristo, estimulada pela necessidade de sistemas de distribuição de água para as pessoas e para a irrigação, assim como para o projeto de barcos para a navegação e os dispositivos e armas de guerra. Naquela época o seu desenvolvimento foi empírico sem utilizar conceitos matemáticos nem da mecânica, entretanto, eles serviram como base para o desenvolvimento ocorrido na civilização grega antiga e no império romano.
Os primeiros escritos conhecidos sobre a Mecânica dos Fluidos são os de Arquimedes (287 - 212 a.C.), abordando os princípios da hidrostática e da flutuação.
No início da era cristã, Sextus Juluis Frontinus (40 - 103 d.C.), engenheiro romano, descreveu detalhadamente sofisticados sistemas de distribuição de água construídos pelos romanos.
                          
Apesar de haver controvérsias sobre a população romana, é razoável afirmar-se que alcançava, no período inicial do Império, um milhão de habitantes.
Deve-se distinguir, na cidade de Roma de então, os domus (casas particulares) dos patrícios e as casernas de aluguel, construções quase sempre verticais que chegavam a alcançar dez andares no I séc. a.C.
Tendo em vista o tamanho e o clima da cidade, o abastecimento de água constituía uma de suas principais necessidades. Neste campo os romanos foram célebres.
Para Plínio, o abastecimento de água da cidade era uma das maravilhas do mundo, para muitos, até hoje sem paralelos. A rede de água (das fontes aos locais de distribuição na cidade) chegou à extensão de 420km.
Mas a água que entra na cidade precisa sair: daí terem sido os romanos grandes também na captação de águas servidas!
É neste contexto que devem ser vistas as grandes conquistas urbanas e higiênicas alcançadas pelos romanos, e que não deixam de ser interessantes quando comparadas às grandes cidades atuais dos países não desenvolvidos, com seus marcantes contrastes.
Na distribuição de água utilizavam canos de chumbo, bronze e barro. Por questões de saúde, os de chumbo foram substituídos em 24 d.C. por canos de barro.
Um sistema tríplice de distribuição fornecia águas, preferencialmente, às fontes públicas, depois, a lugares públicos como teatros e locais de banho, e, finalmente, às casas particulares.
O sistema teve seu grande momento sob a administração do curador das águas Julius Frontinus. . Naquele tempo a cidade recebia 700 mil m³ de água, sendo a metade para fins públicos.
Da outra metade, um quinto ia para o palácio imperial, e o restante, para as casas.
O sistema era controlado e vigiado por cerca de 700 pessoas entre inspetores, pedreiros e escravos.
Havia normas de conservação e penas para os infratores.
As casas remuneravam o Estado pela água de acordo com um sistema de cobrança por volume.
Hösel indica que nos tempos dos imperadores, o consumo diário de água por cabeça era de 200 a 250 litros.
Contudo, a maioria da população só era atendida pelas fontes públicas, de modo que as casernas de aluguel não podiam deixar de ser sujas, já que a água para limpeza e outros usos devia ser apanhada nas fontes.
Devido a sua importância inegável para a vida humana, devemos entender como esta substância vital distribui-se pela natureza.
[Partes deste trecho foi baseado em: E M Í L I O  M A C I E L  E I G E N H E E R, A limpeza urbana através dos tempos ]

Distribuição da água na Natureza

A superfície terrestre ao receber as precipitações pluviais interage com o solo através da infiltração, do escoamento superficial e da percolação. Estes processos contribuem para as recargas hídricas, tanto em forma de alimentação dos fluxos de água subterrâneos, como em descargas nos reservatórios superficiais, além da umidade dos solos e da atmosfera. Considera-se atualmente, que a quantidade total de água na Terra seja de 1386 milhões de km³, onde 97,5% do volume total formam os oceanos e os mares e somente 2,5% constituem-se de água doce. Este volume tem permanecido aproximadamente constante durante os últimos 500 milhões de anos. Vale ressaltar, todavia, que as quantidades estocadas nos diferentes reservatórios individuais da Terra variam substancialmente ao longo desse período. (Rebouças, 1999 ver tabela)    Volume de água em circulação na Terra - km³ / ano ( 1km³ = 1 bilhão de m³)

            
A partir dos dados acima, podemos concluir que existe uma quantidade finita de água, e que a maior parte está concentrada nos oceanos, não obstante, termos uma demanda crescente da população com reflexos diretos no consumo da água.
Os mananciais mais acessíveis utilizados para as atividades sociais e econômicas da humanidade são os volumes de água estocados nos rios e lagos de água doce, que somam apenas 200 mil km³.
Em face, a estes dados já se podemos constar que onze paises da África e nove do Oriente Médio já não tem água. A situação também é critica no México, Hungria, Índia, China, Tailândia e Estados Unidos. Os paises mais pobres em água possuem sua maior concentração populacional próxima aos rios, estando estes localizados em zonas áridas ou insulares da terra. Considera-se que menos de 1000 m³ per capita / ano já representam condição de "estresse da água" e que menos de menos de 500 m³ / hab.ano já significa "escassez de água" (Falkenmark, 1986)
A tabela abaixo mostra como o consumo de água  também esta diretamente ligado a condição econômica da população, onde se observam níveis de variação ligados aos desperdícios por falta de conscientização com conseqüência da falta de instrução (classe baixa) ou por descaso provocado pelo seu baixo valor monetário (classe alta).
       

         
  Consumo médio de água no mundo - Faixa de renda. (Fonte UNIÁGUA.2006)

A situação critica devera atingir 30 paises no ano de 2025, o que sugere a "guerra eminente da água". Os problemas políticos e sociais agravar-se-ão ainda mais pela falta de empenho dos governos na busca do uso mais racional da água.
A deficiência poderia ser minimizada mediante o gerenciamento inteligente  dos recursos internos, incluindo-se a utilização dos lençóis subterrâneos, o Reuso e a adequação das atividades agrícolas principalmente (Rebouças, 1999).
A UNIÁGUA (2006) alerta: "Mais de um sexto da população mundial, 18%, o que corresponde a 1,1 Bilhões de pessoas, não tem abastecimento de água". A situação piora quando se fala em saneamento básico, que não faz parte da realidade de 39% da humanidade, ou 2,4 bilhões de pessoas.
Até 2050, quando 9,3 bilhões de pessoas devem habitar a Terra, 2 a 7 bilhões destas não terão acesso a água de qualidade, seja em casa ou na comunidade. A confirmação ou não desses números externados depende das medidas adotadas pelos governos. Estes dados fazem parte de relatório da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), órgão responsável pelo Programa de Avaliação Hídrica, como preparação para o 3° Fórum Mundial da Água, que aconteceu em Kyoto, Japão, em março de 2003.
Os mananciais do planeta estão secando rapidamente, problema esse que vai se somar  ao crescimento populacional, á  poluição e ao aquecimento global, com tendência a reduzir em um terço, nos próximos 20 anos, a quantidade de água disponível para cada pessoa do mundo.
O volume de água vem caindo desde 1970. "As reservas de água estão diminuindo, enquanto a demanda cresce de forma dramática, em um ritmo insustentável", afirmou o diretor-geral da  UNESCO, Koichiro Matsuura.
Doenças relacionadas à água estão entre as causas mais comuns de morte no mundo e afetam especialmente paises em desenvolvimento. Mais de 2,3 milhões de pessoas morrem anualmente devido ao consumo de água contaminada e a falta de saneamento, sendo as mais afetas as crianças com até cinco anos.
A Unesco montou um ranking de 122 paises comparando a qualidade de seus mananciais.
A Bélgica ficou em ultimo lugar, atrás de paises subdesenvolvidos como a Índia e Ruanda. Isto porque a Bélgica possui escassos lençóis freáticos em conjunto com intensa poluição industrial e um precário sistema de tratamento de esgotos.
No topo da lista estão Finlândia, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e Japão.
O estudo também constatou disparidade quanto a disparidade de água nos diversos paises.
No Kuwait, por exemplo, cada pessoa tem a disposição apenas 50 metros cúbicos de água anualmente, já na Guiana Francesa, são 812.121 metros cúbicos per capita.
Ainda de acordo com o relatório, os rios asiáticos são os mais poluídos do mundo, e a metade da população nos paises pobres está exposta à água contaminada por esgotos, , ou resíduos industriais.
Em vista dos dados expostos, fica claro que as medidas de preservação de água são de extrema necessidade por parte da população mundial, para garantia de seu próprio abastecimento e conseqüente preservação.
Portanto, as medidas de proteção e reuso da água, são uma pauta constante de discussão pelos governos em suas políticas, não obstante, a conscientização ainda é pequena em relação ao tamanho do problema, e deve acontecer em vários níveis de atuação.
O reuso da água
Pode ser entendido como aproveitamento do efluente após uma extensão de seu tratamento, com ou sem investimentos adicionais. No caso dos esgotos, nem todo volume gerado precisa passar por tratamento para ser reutilizado, porém, existem casos em que estes efluentes exigem um processo bastante especifico em seu tratamento.
Os dados estatísticos mostram que um ponto variante ao consumo de água doce, se refere ao nível de desenvolvimento atingido pela população de cada pais, ou a importância das atividades de irrigação.

                       

 Uma analise feita em 50 paises mostra que há uma tendência de redução das taxas de consumo a partir de um certo nível de riqueza, pois concluí-se que, uma vez atingido um certo nível de desenvolvimento, buscam-se alternativas de otimização e eficiência que resultam em queda do consumo de água.
                      
Nas regiões áridas e semi-áridas, a água é um fator limitante para o desenvolvimento urbano, industrial e agrícola, sendo necessário a busca de novas fontes de recursos, para complementar a pequena oferta disponível.
Muitas regiões com recursos hídricos abundantes, mas insuficientes para atender as demandas excessivamente elevadas, também experimentam conflitos de uso e sofrem restrições de consumo, que afetam o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida. (Mancuso, 2003).
Além da escassez, o reuso da água para fins não potáveis compensa a dificuldade de atendimento da demanda da água e substitui mananciais próximos e de qualidade adequada. Com a política do reuso, importantes volumes de água potável são poupados, usando-se água de qualidade inferior, geralmente efluentes secundários pós-tratados, para atendimento de finalidades que podem prescindir da potabilidade.(Abes, 1997).
O conceito de “substituição de fontes” mostrou-se, então, como a alternativa mais plausível para satisfazer as demandas menos restritivas, reservando a água de melhor qualidade para usos mais nobres, como abastecimento doméstico. Em 1985, o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas estabeleceu uma política de gestão para ares carentes de recursos hídricos com base nesse conceito: “A não ser que exista grande disponibilidade, nenhuma água de boa qualidade deve ser utilizada para usos que toleram  águas de qualidade inferior”. (UNIÁGUA, 2001)
A água com qualidades inferiores, tais como esgoto de origem domestica, água de drenagem agrícola e água salobra, deve, sempre que possível, ser considerada como fonte alternativa para usos menos restritivos. O uso de tecnologias apropriadas para o desenvolvimento dessas fontes se constitui hoje, em conjunção com a melhoria da eficiência dôo uso e o controle da demanda, no estratagema para a solução do problema da falta mundial de água.(Abes, 1997).
Reuso urbano
O esgoto de origem essencialmente doméstica, ou com características similares, facilita a viabilização de seu reuso para fins urbanos. Por motivos de segurança à saúde publica, esse esgoto deve ser reutilizado para os fins “fins menos nobres”, ou seja, que não exigem qualidade de água potável, tais com irrigação dos jardins, lavagens dos pisos e dos veículos automotivos, na descarga dos vasos sanitários, na manutenção paisagísticas dos lagos e canais com água, na irrigação dos campos agrícolas, pastagens etc.
                        
O reuso urbano para fins potáveis (serviço de abastecimento publico de água) ocorre em locais em que há escassez crônica de água e esta tecnologia se apresenta como a única solução adequada. Quando isto acontece, os cuidados para com a qualidade do esgoto devem ser redobrados (inclusive pela própria população). Para que isto ocorra, além de ser necessário que o efluente tenha características estritamente orgânicas e de ser exigido que seu tratamento se efetue em nível terciário, é preciso que na seqüência, seu efluente siga para o tratamento complementar de potabilização desta água.
No setor urbano o potencial de reuso é bastante diversificado, porém demanda água com qualidade elevada, exigindo sistemas de tratamento e de controle avançados, podendo levar a custos incompatíveis com os benefícios correspondentes.
De uma maneira geral o esgoto tratado pode, no contexto urbano, ser utilizado para fins potáveis e não potáveis.(Ivanido Hespanhol, 1999).
    
Como exemplo a ser citado de reuso, a Republica da Namíbia – Zimbabwe, que vem tratando esgoto exclusivamente domestico para fins potáveis, o esgoto industrial é coletado em rede separada e tratado independentemente. Além disso, um controle intensivo é efetuado pela municipalidade, para evitar a descarga mesmo acidental, de efluentes industriais ou compostos químicos de qualquer espécie, no sistema de coleta de esgoto doméstico.          
Água pluvial
O aproveitamento da água pluvial tem importante destaque para usos não potáveis nas áreas urbanas, tais como rega de jardins públicos, lavagem de passeios, descarga de vasos sanitários, além de aplicações industriais. No entanto, quando a potabilidade é requisitada, este recurso deve ser bem avaliado. No Brasil, por exemplo, as vantagens hidrológicas naturais não justificam sua utilização para fins potáveis, excetuando casos extremos de algumas partes do pais onde não há outra opção.(UNIÀGUA, 2005)
O reaproveitamento da água servida de residências (grey water) e a captação de água de chuva já são muito aplicados na Califórnia.
É prevista, para o século XXI, a falta de água para 1 / 3 da população mundial.(Hespanhol, 2005)
Atualmente no Brasil, nos locais onde existe um sistema de abastecimento de água implantado, a população recebe água com custo referente ao seu tratamento (potabilização) e sua distribuição.
Ou seja, não é computado o valor monetário da própria água, uma vez que ela é considerada um bem publico.
No dia 8 de janeiro de 1997, foi promulgada a lei federal 9.433/97, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos. A regulamentação desta lei instituiu a cobrança pelo liquido em si, até então gratuito, estabelecendo que a água seja um bem publico dotado de valor econômico, o que consiste uma novidade legislativa.
Em vista disso, é fundamental evitar o desperdício, não poluir e racionalizar o uso da água. O secretario de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente mencionou dados para frisar o desperdício, comparando os 40% a 50% que as empresas de distribuição do Brasil perdem na rede de água com índices europeus e americanos, que não ultrapassam os 20%.
Salati(1999) declara:
“O desenvolvimento futuro mundial terá sérios problemas, com a escassez de água, constituindo-se um desafio a administração das diversas demandas e suas importâncias.
As analises globais preliminares confirmam, que a escassez de água está afetando áreas cada vez mais extensas, particularmente a Ásia Ocidental e a África. 
Este fato repercute em segurança nacional, conflitos e migrações em larga escala, mostrando haver a necessidade de gestão integrada da água no nível das bacias hidrográficas e a determinação adequada do seu custo”.
A escassez da água, já foi motivo para muitas guerras no passado, pode, cada vez mais, agir como catalisador no conjunto de causas ligadas a qualquer conflito futuro.
Encerro escrevendo :
O caminho de canoa, depende dos seus leitores e de maneira poética, principalmente das águas, que não podem e não devem secar, portanto, exorto a todos pensarem, mais do que isto, agirem, mesmo com pequenas ações para que tal malefício não aconteça, e assim, parafraseando o poeta “Navegar é preciso, porém, mais do que isto, viver também é preciso".
Pense sobre isto!!!